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solidão a dois

juro que não ia escrever hoje. juro!

tive um dia perfeito, mesmo sem dormir ontem, mas cá me vejo escrevendo, melhor desabafando novamente. (já estava deitado em minha cama, com a luz apagada!)

até onde a dor vale a pena?
por que existe solidão em sua companhia?
por que a felicidade é tão breve e eufórica?

o que está acontecendo comigo?

isso é amor ou mais um ato de sabotagem?

agora vou dormir! definitivamente isso está ficando tedioso… relevem essa alma eternamente temporariamente tortuosa! rs.

eu queria ter uma bomba.
um flit paralisante qualquer.
pra poder te negar.
bem no último instante.

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a noite, a solidão e pequenas maluquices…

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

Roma está em chamas, disse ele enquanto punha mais um drink.
E aqui estou, banhado num rio de xoxotas.
Lá vem, ela pensou.
Mais uma crítica bêbada sobre como tudo era melhor no passado. E como nós, coitados, nascidos tardes demais para ver os Stones em algum lugar ou inalar a boa coca do Studio 54. Nós praticamente perdemos tudo que valha a pena viver para ver. E a pior parte foi que ela concordou com ele.
Aqui estamos, ela pensou, no fim do mundo no fim da civilização do oeste e todos estamos tão desesperados para sentirmos algo qualquer coisa, que caímos uns nos outros e fodemos nossos caminhos ao longo do fim dos dias.

sexta-feira acordei as duas da tarde, estava atrasado, muito, mas nem um pouco preocupado. tomei um banho bem quente e domorado, e fui ao meu closet escolher uma roupa. sapato preto, black jeans, camisa preta, gravata preta, terno preto e para quebrar o tom um cachecol xadrez em tons de cinza. pela roupa, é perceptível que não estava no clima, mais um ray ban e estava pronto para encarar qualquer enterro.

sai de casa e fui visitar um cliente, o sol ainda quente a essa hora me fez praguejar minha escolha para a roupa, mesmo assim segui em frente. cheguei ao cliente discutindo nossos assuntos num tom quase audível de tanto faz e, só prestei atenção quando ele assinou o cheque do meu pagamento.

abro minha agenda e vejo, cortar o cabelo às cinco, fui ao salão, que até hoje não sei o nome, corto lá apenas pelo profissional que lá trabalha, o Ricardo do Mundo dos Cabelos, além de excelente profissional, é um cara muito gente boa, recomendo a todos. mudei completamente meu corte, estava precisando de uma mudança como essa. estou sentindo um pouco de falta da minha franja maior, mas adorei o corte.

ao lado do salão, fica um fran’s café e como não sou de ferro, sentei lá com o Ricardo e ficamos batendo papo até anoitecer. com certeza, esse foi o melhor momento do dia.

de lá, rumei para a livraria cultura. digo com toda a certeza do mundo que ali é meu lugar preferido nessa cidade. o dia em que eu morrer, espero que o céu seja todo catalogado como lá. fui a prateleira de literatura nacional e puxei um livrinho de Clarice (Lispector), A bela e a fera, é diferente por não contar uma história só e sim uma compilação de contos, curto e apreciável, meu tipo de livro no momento. lá também, tomo meu segundo café, peço um nespresso, indicação da Tati. nem lembro de colocar açúcar, sinto aquele gosto forte na garganta, bom do mesmo jeito.

olho no relógio, oito e vinte, saio da livraria correndo, pego um taxi e vou a uma churrascaria encontrar um cliente para fechar um contrato. o preto total na vestimenta se justifica, ataco o cliente a noite toda e fecho o contrato com 12,5% a mais de lucro para minha empresa.

você pensa, fim de noite? missão cumprida? quem me dera, ela está só no começo…

pego outro taxi e peço para descer na esquina da consolação com a paulista. paro na primeira banca e compro um maço de cigarros e um isqueiro bic amarelo.

ando pela av. paulista vagarosa e intimamente como quem conhece cada um de seus pedaços, fumando um filtro atrás do outro. ando fazendo muito isso ultimamente, como que pra colocar as idéias em ordem. a cada passo, troco olhares com as pessoas que passam por mim, poucas o retribuem, dessas poucas quase todas o desviam e ficam envergonhadas ou sem jeito.

sinto-me solitário, passo os olhos pela agenda do meu celular e não encontro ninguém para ligar. ainda estou meio estranho com meu amigo mesmo retomada a amizade, ela não está na cidade no momento e não senti vontade de ligar para nenhuma mulher qualquer. não que essas últimas sejam desprezíveis, pelo contrário, mas elas não são o tipo de companhia para uma noite de muita conversa.

chego ao vão do MASP, sento-me lá e penso nas minhas possibilidades. olho o maço e conto, sexto cigarro, o acendo e o trago já com os pulmões arranhados. volto a caminhar.

passo por um cruzamento e sinto frio, estou bem agasalhado, mas é o tipo de calor que não me aquece. a maioria dos estabelecimentos já estão com suas portas baixas, paro em frente a dois hippies e começo a olhar suas pulseiras e brincos. acho que fiquei uns dois minutos parado ali, também acho que eles falaram comigo, não sei, também não ligo.

metade do maço já foi embora, sinto o pulmão carregado, sinto fome também. penso, onde comer? não estou a fim de um big mac, também não quero um lanche de bar.

passo pelo metrô brigadeiro, e vejo o fran’s que fica em frente. adentro, peço um cinzeiro e o cardápio. acendo um cigarro e percebo que realmente estou com fome, comi apenas um pão francês durante o dia todo. chamo a garota, peço uma poção de mini pães de queijo, um pão de batata e outro cappuccino grande (terceiro café da noite). demora um pouco pra chegar, acendo outro cigarro e começo a reparar nas pessoas.

a minha esquerda tem um senhor com uma lã vermelha, também sozinho, que é a cara do Martin Scorsese, ele está comendo alguma coisa de frango e completamente penetrado na leitura de sua revista (Veja), me desinteresso completamente por ele, não gosto muito dos leitores da Veja.

a minha direita no canto, dois jovens estão se pegando pra valer, sinto um pouco de tesão e penso novamente em duas ou três mulheres que poderia ligar, mas não estava a fim só de sexo, queria apenas conversar com alguém a noite toda.

a minha frente, duas mulheres por volta dos quarenta num ti-ti-ti danada, não sei se falavam mais ou se comiam, mesmo perdido em minha solidão, não gostaria de sentar entre as duas (vai que tomo uma garfada, rs).

chega meu pedido, apago meu cigarro e apenas como e beberico meu café sem pensar em mais nada, peço outra poção de mini pães de queijo e a conta. fumo novamente, dessa vez, o melhor cigarro da noite. estou reconfortado. pago a conta, olho no relógio e vejo, onze horas. penso, não tem mais nada pra mim aqui, voltarei pra casa. não! pra que? pra ficar acordado a noite toda afundado em mais uma insônia?

decido pegar uma balada, nada melhor para afundar uma depressão do que música eletrônica estourando os miolos, além de não ter lugar melhor para arrumar mulheres fáceis. pego um taxi e peço para descer em frente a tal.

não tem fila na porta, todos já estavam lá dentro. no lounge estava rolando um som anos 80, vou ao bar, peço um whisky barato e olho ao redor. a pista está cheia, têm rodinhas de pessoas com passos ensaiados pra lá e pra cá. não estou nem um pouco animado. decido levantar e ver se encontro alguma mulher para gastar uma hora.

entro na pista eletrônica, circulo pela pista, olho pra cima e vejo uma loira com uma mão no corrimão do segundo andar rebolando majestosamente. trocamos alguns olhares, faço menção a minha bebida oferecendo-a, ela sorri e me chama. chego lá, ela toma um gole do meu whisky e tosse, eu sorrio, seguro em sua cintura e começo a dançar colado com ela. não rolou nem uma palavra, a virei e a beijei, continuamos dançando e nos beijando, olhei em seus olhos desejosos, virei e fui embora. não sei nem seu nome.

atravesso a porta que liga a primeira pista a segunda e lá o funk é o som do momento. não gosto do ambiente, mas ver as piriguetes dançando até o chão vale o porre. encosto no bar, peço uma cerveja. olho pro lado e vejo uma mestiça me comendo com os olhos. fico de frente pra ela e a encaro, ela sorri e desvia os olhos, continuo a encará-la, ela me olha novamente e vou ao encontro dela, ela foge de mim. começa um jogo de gato e rato, chego perto, ela vai pra longe, me animo com o jogo, troca de olhares, caras e bocas. a encurralo em um canto, digo: – oi. ela responde: – oi, qual seu nome? digo: – Romeu e o seu? ela: – Aline. pergunto: – por que foges de mim? ela retruca: – por que não me pegou antes? respondo: – qual seria a graça se não existisse o jogo? – qual meu prêmio? ela: – você está muito confiante Romeu, quem disse que tem um prêmio? digo: – sempre existe um prêmio, é dai que nasce minha confiança. – qual meu prêmio? ela diz: – se você tem tanta certeza, como não o descobriu ainda? sorrio e digo: – são as regras do jogo menina. com isso a pego pela cintura e a puxo junto a mim, passo a mão em seu rosto e a beijo. nos pegamos por cerca de meia hora, me sinto inquieto, não é o que quero, afinal o que eu quero? digo que vou pegar uma bebida, ela pede meu telefone, invento um número, vou embora.

volto ao lounge, a pista está mais cheia, mais animada também. na caixa toca RPM, olhar 43. vou a pista, vejo um grupo de garotas dançando. me aproximo da mais bonita da roda, uma moreninha toda linda e me apresento: – oi. eu sou o Ricardo, você? ela: – Juliana. pergunto: – gosta do som? ela: – sim, adoro o Paulo Ricardo. sorrio e digo: – eu também, tenho um bolachão do Rádio Pirata de 1986, uma das minhas raridades! ela sorrindo pela primeira vez diz: – não brinca! também tenho e é o meu favorito deles! era o que eu precisava, quebrei o gelo numa tacada de sorte. quem liga pra isso? se a sorte não serve pra isso, pra que então? sentamos num dos bancos que tem aos montes no lounge e começamos a conversar sobre música e gostos em geral. numa pausa digo que estava reparando nela desde a hora que havia chegado e pergunto se ela tem namorado. ela me diz que não. fica aquele silêncio, rola um clima. nessa hora, a maioria das pessoas não sabem o que fazer, eu normalmente não ligo, pra mim tanto faz, coloco minha mão em seu pescoço e começo a acaricia-la, digo que seu perfume é muito gostoso, chego mais perto e lhe cheiro o pescoço, ela arrepia, é minha deixa. olho-a nos olhos e lhe tasco um beijo. ela me olha e lhe dou outro e mais outro. olho no relógio, são duas horas, digo que preciso ir embora e pego seu telefone.

chego na saída, paro, respiro e entro novamente na porta ao lado, a da pista eletrônica. vou a um canto da pista e sento em um dos sofás, sinto o cansaço do dia todo descer sobre mim. lanço meu olhar de paisagem pela vista e fico ali, sentado, só relaxando.

três e doze, busco o foco em meus olhos e reparo na pista. é a famosa cena de fim de feira, conversa fiada para todo lado, ponta de estoque em promoção, laranja mofada fazendo sucesso. solto uma gargalhada e penso: – é o fim, estou no inferno! cadê o capeta para tomarmos um drink no inferno? (aliás, gosto desse filme maluco até o caroço, com o George Clooney e o Quentin Tarantino) os casais ao meu lado me olham com espanto, cochicham, esse ai deve estar bêbado…

um pouco a minha frente, três garotas dançam fazendo graça, reparo nelas. chega um grupo de rapazes, cada um gruda em uma, conversa pra cá, pra lá e rapidamente são despachados. dou 1,5 pela abordagem mais 2,0 pela coragem de chegarem em garotas tão bonitas feios como são. chega outro, e outro. todos dispensados. começo a divertir-me com a situação.

mais uma rodada e nada. duas delas se divertem com a situação tanto quanto eu, a outra já meio emburrada, olha para os lados, fala alguma coisa inaudível para as amigas e senta num espaço vago no sofá ao meu lado. ao chegar disse: – está ocupado, posso sentar? me ajeito e respondo: – sim, fique a vontade. passa algum tempo, puxo conversa: – cansada? ela responde: – sim, meus pés estão me matando. dancei a noite toda. digo a ela: – tire o salto, aqui no cantinho ninguém vai ver. ela os tira e eu pergunto: – qual seu nome? ela: – Fernanda e o seu? digo: – Raphael, muito prazer. mora por aqui? ela: – mais ou menos, moro em higienópolis, sabe? respondo: – sim, conheço bem aquele pedaço, principalmente aquele perto do IED. ela diz: – legal, moro ali pertinho e você? digo: – moro próximo a av. paulista, mas meu contrato de aluguel vence esse mês e sairei de lá. ela: – hmm, vai pra onde? eu: – a principio voltarei a casa de minha mãe pois pretendo mochilar daqui um mês ou dois pelo sul do país. como ficarei um bom tempo fora, não procurei nada direto. ela: – legal! adoro viajar. digo sorrindo: – vem comigo, vai ser divertido. vem comigo, no caminho eu te explico. ela: – eu amo Cazuza! e é melhor não brincar que é arriscado eu ir mesmo hein, rs. eu digo: – falando em ir, está na minha hora. ela: – que pena, acho que eu e minhas amigas já vamos também, odeio fim de balada. digo: – também não gosto muito, estou aqui por preguiça de voltar pra minha casa e ficar sozinho lá. ela: – estou na mesma, esse é um dos problemas em morar sozinha. digo a ela: – quer companhia? ela rindo: – nem te conheço! rs digo: – nem eu te conheço e, olha o risco que estou correndo ao te propor isso, posso estar nesse momento me oferecendo a uma seqüestradora, assassina ou coisa pior. eu me arrisco por você, você não? ela: – eu não sou nada disso! tá doido? rs eu: – tem certeza? você tem uma cara de maluquinha viu, sei não… vou correr riscos sozinho com você? ela: – claro que não! pega suas coisas e vamos embora.

parei e pensei: – que porra é essa? ela não queria me levar pra sua casa, por medo, sei lá, e eu virei o jogo só na psicologia barata e ela nem se ligou. fiquei decepcionado com a facilidade desse jogo…

entrei no carro com as amigas delas e fomos no pegando no banco de trás até sua casa. lá dentro, olho ao redor e penso: – meu Deus! que confusão! e eu achando que eu era bagunceiro… isso é o de menos, pego a garota, começo a beijá-la e tirar sua roupa. pego uma camisinha, jogo as tralhas da mesa pro chão e transamos ali mesmo. de lá fomos para o chão e finalizamos na parede do corredor. não vi seu quarto, não queria e nem precisava.

juntei minhas roupas, peguei um taxi e fui embora. ela não ficou muito feliz, mas não ligo, era pra ser só aquilo mesmo.

essa noite tive, três cafés, quatro mulheres, uma transa e mesmo assim muita solidão. hoje dia 15, fiz as contas e já tive 12 mulheres no mês. e não estou nem um pouco feliz.

estou doido para sentir algo que me faça saber vivo, que seja ódio, paixão, frio na barriga, o caralho a quatro que o seja, mas que somente uma grande mulher consegue despertar.

estou atrás de uma grande mulher, um grande desafio, acho que é disso que preciso. (só pra constar, uma grande mulher não é necessariamente uma grande namorada).

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London, is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, i am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here, nowhere to go

RPM – London, London


autor

R. é audacioso, provocativo e comunicativo. ávido leitor, ele é freqüentador assíduo de livrarias e também um apaixonado pelo cenário underground e cultural de São Paulo. sua paixão por livros rivaliza-se apenas a sua pelas mulheres. leia mais sobre mim.

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