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tem certeza de que você não é gay mesmo?

tem certeza de que você não é gay mesmo?

tem certeza de que você não é gay mesmo?

são duas da manhã, duas pessoas se encontram conversando em um canto no jardim de inverno de uma bela e bem planejada casa em um dos bairros mais nobres da cidade.

– como se chama?
– me chamo R. e você?
– Ulisses, muito prazer.
– igualmente.

na sala de estar, improvisada como pista de dança, Duffy esbanja sua melancolia a uma platéia de intelectuais, alternativos, gays e drogados.

– o que você faz?
– sou designer e você?
– sou ator de teatro.
– legal, está com alguma peça em cartaz?
– não, mas recebi um texto para montar uma peça em novembro…

um novato e um completo desconhecido recebem o bilhete dourado para embarcar neste bizarro e louco mundo a apenas duas horas e meia.

– você é muito lindo sabia?
– obrigado.
– adoro seus olhos azuis, eles brilham na noite…
– obrigado.
– estou morrendo de vontade de te beijar…

(ele avança, viro o rosto e ele beija minha maça esquerda)

a noite é fria, mas não faltam bebidas de todos os tipos e gostos para aquecer e enlouquecer a multidão polvorosa. a dupla, como de costume, ataca apenas os whiskys de boa qualidade.

– me desculpe, mas eu gosto apenas de mulheres.
– é uma pena, na verdade, um desperdício.

(esboço um sorriso compreensivo)

– você me deixa maluco, tem certeza de que você não é gay mesmo?

(ele avança novamente, viro o rosto e recebo um beijo na outra maça)

– sim, tenho certeza.

(olho para meu amigo, ele compreende o sinal e interrompe nossa conversa)

– foi um prazer te conhecer.
– você pode me dar seu telefone?
– fique com meu cartão.

em quase todas os lugares em que vou alguém me pergunta se sou gay. acredito que seja uma pergunta comum, mas a partir do momento em que alguém te pergunta se você tem certeza de que não é gay mesmo, muda o cenário. é o tipo de pergunta, vou além, provocação que não tem volta. é sua confirmação, seu sim ou seu não definitivo.

sempre soube o que era, agora não restam dúvidas. sou hetero, sempre fui e sempre serei.

Mercy – Duffy

(continua…)

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a noite, a solidão e pequenas maluquices…

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

Roma está em chamas, disse ele enquanto punha mais um drink.
E aqui estou, banhado num rio de xoxotas.
Lá vem, ela pensou.
Mais uma crítica bêbada sobre como tudo era melhor no passado. E como nós, coitados, nascidos tardes demais para ver os Stones em algum lugar ou inalar a boa coca do Studio 54. Nós praticamente perdemos tudo que valha a pena viver para ver. E a pior parte foi que ela concordou com ele.
Aqui estamos, ela pensou, no fim do mundo no fim da civilização do oeste e todos estamos tão desesperados para sentirmos algo qualquer coisa, que caímos uns nos outros e fodemos nossos caminhos ao longo do fim dos dias.

sexta-feira acordei as duas da tarde, estava atrasado, muito, mas nem um pouco preocupado. tomei um banho bem quente e domorado, e fui ao meu closet escolher uma roupa. sapato preto, black jeans, camisa preta, gravata preta, terno preto e para quebrar o tom um cachecol xadrez em tons de cinza. pela roupa, é perceptível que não estava no clima, mais um ray ban e estava pronto para encarar qualquer enterro.

sai de casa e fui visitar um cliente, o sol ainda quente a essa hora me fez praguejar minha escolha para a roupa, mesmo assim segui em frente. cheguei ao cliente discutindo nossos assuntos num tom quase audível de tanto faz e, só prestei atenção quando ele assinou o cheque do meu pagamento.

abro minha agenda e vejo, cortar o cabelo às cinco, fui ao salão, que até hoje não sei o nome, corto lá apenas pelo profissional que lá trabalha, o Ricardo do Mundo dos Cabelos, além de excelente profissional, é um cara muito gente boa, recomendo a todos. mudei completamente meu corte, estava precisando de uma mudança como essa. estou sentindo um pouco de falta da minha franja maior, mas adorei o corte.

ao lado do salão, fica um fran’s café e como não sou de ferro, sentei lá com o Ricardo e ficamos batendo papo até anoitecer. com certeza, esse foi o melhor momento do dia.

de lá, rumei para a livraria cultura. digo com toda a certeza do mundo que ali é meu lugar preferido nessa cidade. o dia em que eu morrer, espero que o céu seja todo catalogado como lá. fui a prateleira de literatura nacional e puxei um livrinho de Clarice (Lispector), A bela e a fera, é diferente por não contar uma história só e sim uma compilação de contos, curto e apreciável, meu tipo de livro no momento. lá também, tomo meu segundo café, peço um nespresso, indicação da Tati. nem lembro de colocar açúcar, sinto aquele gosto forte na garganta, bom do mesmo jeito.

olho no relógio, oito e vinte, saio da livraria correndo, pego um taxi e vou a uma churrascaria encontrar um cliente para fechar um contrato. o preto total na vestimenta se justifica, ataco o cliente a noite toda e fecho o contrato com 12,5% a mais de lucro para minha empresa.

você pensa, fim de noite? missão cumprida? quem me dera, ela está só no começo…

pego outro taxi e peço para descer na esquina da consolação com a paulista. paro na primeira banca e compro um maço de cigarros e um isqueiro bic amarelo.

ando pela av. paulista vagarosa e intimamente como quem conhece cada um de seus pedaços, fumando um filtro atrás do outro. ando fazendo muito isso ultimamente, como que pra colocar as idéias em ordem. a cada passo, troco olhares com as pessoas que passam por mim, poucas o retribuem, dessas poucas quase todas o desviam e ficam envergonhadas ou sem jeito.

sinto-me solitário, passo os olhos pela agenda do meu celular e não encontro ninguém para ligar. ainda estou meio estranho com meu amigo mesmo retomada a amizade, ela não está na cidade no momento e não senti vontade de ligar para nenhuma mulher qualquer. não que essas últimas sejam desprezíveis, pelo contrário, mas elas não são o tipo de companhia para uma noite de muita conversa.

chego ao vão do MASP, sento-me lá e penso nas minhas possibilidades. olho o maço e conto, sexto cigarro, o acendo e o trago já com os pulmões arranhados. volto a caminhar.

passo por um cruzamento e sinto frio, estou bem agasalhado, mas é o tipo de calor que não me aquece. a maioria dos estabelecimentos já estão com suas portas baixas, paro em frente a dois hippies e começo a olhar suas pulseiras e brincos. acho que fiquei uns dois minutos parado ali, também acho que eles falaram comigo, não sei, também não ligo.

metade do maço já foi embora, sinto o pulmão carregado, sinto fome também. penso, onde comer? não estou a fim de um big mac, também não quero um lanche de bar.

passo pelo metrô brigadeiro, e vejo o fran’s que fica em frente. adentro, peço um cinzeiro e o cardápio. acendo um cigarro e percebo que realmente estou com fome, comi apenas um pão francês durante o dia todo. chamo a garota, peço uma poção de mini pães de queijo, um pão de batata e outro cappuccino grande (terceiro café da noite). demora um pouco pra chegar, acendo outro cigarro e começo a reparar nas pessoas.

a minha esquerda tem um senhor com uma lã vermelha, também sozinho, que é a cara do Martin Scorsese, ele está comendo alguma coisa de frango e completamente penetrado na leitura de sua revista (Veja), me desinteresso completamente por ele, não gosto muito dos leitores da Veja.

a minha direita no canto, dois jovens estão se pegando pra valer, sinto um pouco de tesão e penso novamente em duas ou três mulheres que poderia ligar, mas não estava a fim só de sexo, queria apenas conversar com alguém a noite toda.

a minha frente, duas mulheres por volta dos quarenta num ti-ti-ti danada, não sei se falavam mais ou se comiam, mesmo perdido em minha solidão, não gostaria de sentar entre as duas (vai que tomo uma garfada, rs).

chega meu pedido, apago meu cigarro e apenas como e beberico meu café sem pensar em mais nada, peço outra poção de mini pães de queijo e a conta. fumo novamente, dessa vez, o melhor cigarro da noite. estou reconfortado. pago a conta, olho no relógio e vejo, onze horas. penso, não tem mais nada pra mim aqui, voltarei pra casa. não! pra que? pra ficar acordado a noite toda afundado em mais uma insônia?

decido pegar uma balada, nada melhor para afundar uma depressão do que música eletrônica estourando os miolos, além de não ter lugar melhor para arrumar mulheres fáceis. pego um taxi e peço para descer em frente a tal.

não tem fila na porta, todos já estavam lá dentro. no lounge estava rolando um som anos 80, vou ao bar, peço um whisky barato e olho ao redor. a pista está cheia, têm rodinhas de pessoas com passos ensaiados pra lá e pra cá. não estou nem um pouco animado. decido levantar e ver se encontro alguma mulher para gastar uma hora.

entro na pista eletrônica, circulo pela pista, olho pra cima e vejo uma loira com uma mão no corrimão do segundo andar rebolando majestosamente. trocamos alguns olhares, faço menção a minha bebida oferecendo-a, ela sorri e me chama. chego lá, ela toma um gole do meu whisky e tosse, eu sorrio, seguro em sua cintura e começo a dançar colado com ela. não rolou nem uma palavra, a virei e a beijei, continuamos dançando e nos beijando, olhei em seus olhos desejosos, virei e fui embora. não sei nem seu nome.

atravesso a porta que liga a primeira pista a segunda e lá o funk é o som do momento. não gosto do ambiente, mas ver as piriguetes dançando até o chão vale o porre. encosto no bar, peço uma cerveja. olho pro lado e vejo uma mestiça me comendo com os olhos. fico de frente pra ela e a encaro, ela sorri e desvia os olhos, continuo a encará-la, ela me olha novamente e vou ao encontro dela, ela foge de mim. começa um jogo de gato e rato, chego perto, ela vai pra longe, me animo com o jogo, troca de olhares, caras e bocas. a encurralo em um canto, digo: – oi. ela responde: – oi, qual seu nome? digo: – Romeu e o seu? ela: – Aline. pergunto: – por que foges de mim? ela retruca: – por que não me pegou antes? respondo: – qual seria a graça se não existisse o jogo? – qual meu prêmio? ela: – você está muito confiante Romeu, quem disse que tem um prêmio? digo: – sempre existe um prêmio, é dai que nasce minha confiança. – qual meu prêmio? ela diz: – se você tem tanta certeza, como não o descobriu ainda? sorrio e digo: – são as regras do jogo menina. com isso a pego pela cintura e a puxo junto a mim, passo a mão em seu rosto e a beijo. nos pegamos por cerca de meia hora, me sinto inquieto, não é o que quero, afinal o que eu quero? digo que vou pegar uma bebida, ela pede meu telefone, invento um número, vou embora.

volto ao lounge, a pista está mais cheia, mais animada também. na caixa toca RPM, olhar 43. vou a pista, vejo um grupo de garotas dançando. me aproximo da mais bonita da roda, uma moreninha toda linda e me apresento: – oi. eu sou o Ricardo, você? ela: – Juliana. pergunto: – gosta do som? ela: – sim, adoro o Paulo Ricardo. sorrio e digo: – eu também, tenho um bolachão do Rádio Pirata de 1986, uma das minhas raridades! ela sorrindo pela primeira vez diz: – não brinca! também tenho e é o meu favorito deles! era o que eu precisava, quebrei o gelo numa tacada de sorte. quem liga pra isso? se a sorte não serve pra isso, pra que então? sentamos num dos bancos que tem aos montes no lounge e começamos a conversar sobre música e gostos em geral. numa pausa digo que estava reparando nela desde a hora que havia chegado e pergunto se ela tem namorado. ela me diz que não. fica aquele silêncio, rola um clima. nessa hora, a maioria das pessoas não sabem o que fazer, eu normalmente não ligo, pra mim tanto faz, coloco minha mão em seu pescoço e começo a acaricia-la, digo que seu perfume é muito gostoso, chego mais perto e lhe cheiro o pescoço, ela arrepia, é minha deixa. olho-a nos olhos e lhe tasco um beijo. ela me olha e lhe dou outro e mais outro. olho no relógio, são duas horas, digo que preciso ir embora e pego seu telefone.

chego na saída, paro, respiro e entro novamente na porta ao lado, a da pista eletrônica. vou a um canto da pista e sento em um dos sofás, sinto o cansaço do dia todo descer sobre mim. lanço meu olhar de paisagem pela vista e fico ali, sentado, só relaxando.

três e doze, busco o foco em meus olhos e reparo na pista. é a famosa cena de fim de feira, conversa fiada para todo lado, ponta de estoque em promoção, laranja mofada fazendo sucesso. solto uma gargalhada e penso: – é o fim, estou no inferno! cadê o capeta para tomarmos um drink no inferno? (aliás, gosto desse filme maluco até o caroço, com o George Clooney e o Quentin Tarantino) os casais ao meu lado me olham com espanto, cochicham, esse ai deve estar bêbado…

um pouco a minha frente, três garotas dançam fazendo graça, reparo nelas. chega um grupo de rapazes, cada um gruda em uma, conversa pra cá, pra lá e rapidamente são despachados. dou 1,5 pela abordagem mais 2,0 pela coragem de chegarem em garotas tão bonitas feios como são. chega outro, e outro. todos dispensados. começo a divertir-me com a situação.

mais uma rodada e nada. duas delas se divertem com a situação tanto quanto eu, a outra já meio emburrada, olha para os lados, fala alguma coisa inaudível para as amigas e senta num espaço vago no sofá ao meu lado. ao chegar disse: – está ocupado, posso sentar? me ajeito e respondo: – sim, fique a vontade. passa algum tempo, puxo conversa: – cansada? ela responde: – sim, meus pés estão me matando. dancei a noite toda. digo a ela: – tire o salto, aqui no cantinho ninguém vai ver. ela os tira e eu pergunto: – qual seu nome? ela: – Fernanda e o seu? digo: – Raphael, muito prazer. mora por aqui? ela: – mais ou menos, moro em higienópolis, sabe? respondo: – sim, conheço bem aquele pedaço, principalmente aquele perto do IED. ela diz: – legal, moro ali pertinho e você? digo: – moro próximo a av. paulista, mas meu contrato de aluguel vence esse mês e sairei de lá. ela: – hmm, vai pra onde? eu: – a principio voltarei a casa de minha mãe pois pretendo mochilar daqui um mês ou dois pelo sul do país. como ficarei um bom tempo fora, não procurei nada direto. ela: – legal! adoro viajar. digo sorrindo: – vem comigo, vai ser divertido. vem comigo, no caminho eu te explico. ela: – eu amo Cazuza! e é melhor não brincar que é arriscado eu ir mesmo hein, rs. eu digo: – falando em ir, está na minha hora. ela: – que pena, acho que eu e minhas amigas já vamos também, odeio fim de balada. digo: – também não gosto muito, estou aqui por preguiça de voltar pra minha casa e ficar sozinho lá. ela: – estou na mesma, esse é um dos problemas em morar sozinha. digo a ela: – quer companhia? ela rindo: – nem te conheço! rs digo: – nem eu te conheço e, olha o risco que estou correndo ao te propor isso, posso estar nesse momento me oferecendo a uma seqüestradora, assassina ou coisa pior. eu me arrisco por você, você não? ela: – eu não sou nada disso! tá doido? rs eu: – tem certeza? você tem uma cara de maluquinha viu, sei não… vou correr riscos sozinho com você? ela: – claro que não! pega suas coisas e vamos embora.

parei e pensei: – que porra é essa? ela não queria me levar pra sua casa, por medo, sei lá, e eu virei o jogo só na psicologia barata e ela nem se ligou. fiquei decepcionado com a facilidade desse jogo…

entrei no carro com as amigas delas e fomos no pegando no banco de trás até sua casa. lá dentro, olho ao redor e penso: – meu Deus! que confusão! e eu achando que eu era bagunceiro… isso é o de menos, pego a garota, começo a beijá-la e tirar sua roupa. pego uma camisinha, jogo as tralhas da mesa pro chão e transamos ali mesmo. de lá fomos para o chão e finalizamos na parede do corredor. não vi seu quarto, não queria e nem precisava.

juntei minhas roupas, peguei um taxi e fui embora. ela não ficou muito feliz, mas não ligo, era pra ser só aquilo mesmo.

essa noite tive, três cafés, quatro mulheres, uma transa e mesmo assim muita solidão. hoje dia 15, fiz as contas e já tive 12 mulheres no mês. e não estou nem um pouco feliz.

estou doido para sentir algo que me faça saber vivo, que seja ódio, paixão, frio na barriga, o caralho a quatro que o seja, mas que somente uma grande mulher consegue despertar.

estou atrás de uma grande mulher, um grande desafio, acho que é disso que preciso. (só pra constar, uma grande mulher não é necessariamente uma grande namorada).

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London, is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, i am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here, nowhere to go

RPM – London, London

o reencontro, a meretriz e o mimo

casa de meretrizes

casa de meretrizes

sexta passada reencontrei um amigo que não via há um ano. somos amigos a mais de dez anos e após uma briga feia por motivos hoje considerados fúteis rompemos nossa amizade. confesso que senti uma baita falta da amizade de D. e sempre o considerei meu melhor amigo. sou um cara muito orgulhoso e não dei o braço a torcer assim como ele. acredito que a amizade funciona mais ou menos como um namoro. excesso de convivência desgasta e cria pequenos conflitos ao longo do tempo e uma hora, a bolha explodi.

fomos a um bar que conhecemos de longa data, o freqüentamos desde a época em que começamos a sair juntos quando tínhamos nossos dezesseis anos. cheguei meia hora atrasado e ele já estava numa mesa bebendo. demos um abraço tímido, pedi um drink e começamos a conversar. cinco minutos depois nem parecia que havíamos brigado, estávamos rindo muito e colocando toda a conversa em dia.

como estávamos afiados decidimos fazer o que sempre fizemos de melhor juntos, paquerar as mulheres ao nosso redor. temos um pequeno ritual, tiramos no palito para ver quem vai à outra mesa se apresentar e abrir terreno para o parceiro. o sorteado por sua vez, pode escolher a mesa e a garota que bem entender. nessa noite o sorteado foi o D., ele escolheu uma mesa com uma loira e uma ruiva e me avisou que a loira era dele. três tragadas de cigarro, ele me chama com um aceno, pego meu copo, pertences e me junto à festa.

a ruiva era meio cavalona, mas bonita enquanto a loira era baixinha, porém bem gostosa. elas não faziam muito meu tipo, mas como o direito de escolha era de D., não tinha muito o que argumentar. livre de qualquer vontade resolvi apenas tirar um barato. pedimos uma pizza e mandamos ver nas bebidas. as horas voaram e nem me dei conta, uma coisa não posso negar, as duas eram extremamente simpáticas. D. perguntou as duas se elas não queriam ir ao apartamento dele para fazermos uma pequena festinha (confesso que foi um convite nada sutil, mas como não queria nada demais com nenhuma delas, fiz coro). as duas entreolharam-se e meio sem graça recusaram. com nada mais para render, pedimos a conta e fomos embora.

como ainda era cedo e era uma noite para se comemorar, discutíamos para qual bar iríamos até que D. me propôs uma visita a uma “casa de damas” perto dali. lancei-lhe um olhar meio irônico e disse que iria só se ele pagasse minha conta porque não seria muito difícil me arranjar nessa noite. ele rindo de deboche de mim disse que não duvidava, mas que mesmo assim a noite merecia um final para ser lembrado.

chegando lá, vimos que era um lugar simples por dentro. tinha um pequeno sofá meio velho, a tradicional luz vermelha, algumas mesas, uma pequena pista com um som velho e um bar repleto de bebidas vagabundas. o local não estava muito cheio, ao todo deveria ter meia dúzia de gatos pingados. sentamos numa mesa de canto e começamos a trocar olhares com algumas meninas. duas delas levantaram-se e sentaram ao nosso lado. D. logo afoito pegou uma delas e a levou ao quarto, eu como não me faço de rogado, comecei a instigar a menina até que ela suplica-se por meu pau dentro dela. ela estava puro fogo e eu me divertia com sua insistência.

finalmente a levei a um quarto, era pequeno e abafado. tinha apenas uma cômoda, uma cama (que rangia sem parar) e um pequeno armário para pendurar as roupas. confesso que não sou muito fã de putas, essa foi apenas a terceira vez que estive com uma. adoro intimidade durante o sexo e isso não é uma coisa que se possa encontrar nesses lugares. gosto de beijar na boca, arranhar, lamber, apertar. falando de uma maneira chula, só meter cansa e depois de algum tempo fica bem chato. 60% (no mínimo) do sexo pra mim não envolve diretamente a penetração.

resultado? minha putinha gozou três vezes e eu nem vontade senti. ela já sem fôlego pediu um tempo e me disse que queria que o namorado dela fosse como eu na cama, que demorasse a gozar e não se cansasse fácil. sarcasticamente respondi que com uma mulher como ela na cama, eu agüentaria a noite inteira fácil fácil. acho que ela não entendeu minha tirada, pois me pediu para esperar um minuto e foi até suas roupas. pegou sua pulseira (feia que dói), me deu de presente e disse que era um mimo para eu sempre me lembrar dela quando a usasse. me abraçou e disse que eu não precisava pagar a conta, cortesia dela. agradeci e me troquei (não queria mais uma sessão sem sal, nem de graça). bati na porta de D. e o chamei para ir embora. ele vestiu-se a contragosto e saímos.

paramos no Fran’s Café que ficava a três esquinas dali e fechamos a noite com chave de ouro enquanto ele não parava de rir pelo fato de eu não ter gozado e receber como prêmio de consolação uma bijouteria horrorosa da uma meretriz.

com certeza será um reencontro que renderá risadas por muitos e muitos anos. nossa parceria está refeita e muitas histórias e mulheres estão por vir.

p-day e ménage à trois

minha noite começou como a maioria das outras quando vou a uma festa, som alto, banho demorado e vasta seleção de looks. ao som da diva Nina Simone, optei por um look casual. black jeans, camisa branca, all star branco (tá nem tanto), blusa listrada semi aberta e minha gravata predileta (uma skinny preta). após quarenta minutos e duas baforadas do meu melhor perfume, T. meu amigo e carona chega. devido ao feriado pegamos pouco trânsito e em poucos minutos já estávamos no local da festa nos jardins.

eram vinte e cinco prás uma e já estávamos no saguão conversando com o recepcionista do prédio, perguntamos quantas pessoas já haviam chegado (quarenta e duas até o momento) e demos nossos nomes, para serem ticados na lista. T. e eu ficamos discutindo no elevador como seria a festa. eu já sabia que seria uma noite complicada, pois vi na lista o nome de duas ex-ficantes e um casinho cheio de indas e vindas que sempre tive. estas festas são conhecidas pelos seus excessos e o anfitrião sempre frisa que ao pisar na cobertura não existe mais o mundo lá fora.

como o prédio é daqueles com um apartamento por andar, o elevador dá direto no hall de entrada. ao abrir as portas, recebemos o cartão de visita da festa. duas garotas se pegando no canto entre a janela e a fonte. sem nos fazer notar, rumamos para a sala. T. e eu mal sabíamos que a noite estava apenas começando.

na sala (principal local da festa), que fora adaptada com uma pista de dança e bar tivemos a noção real de como seria a noite. o ambiente era de pouca luz com alguns equipamentos de iluminação específicos para festas. no canto direito se localizava a mesa do dj e o telão que rodava em loop alguns filmes e clipes sensuais, ao centro ficava a pista que pulsava ao som de Justin Timberlake, Amy Winehouse, Rihanna, Yeah Yeah Yeahs, LCD Soundsystem e outras bandas na mesma linha. no canto oposto, o bar, que estava abarrotado de bebidas e dois bartenders o comandavam fazendo dos mais variados drinks e malabares. a esquerda da entrada se concentravam os sofás e pufes e ao lado a cozinha com o buffet. como sempre, a roda de drogas ficava ali nos sofás. de cara vi gente cheirando cocaína, e fumando maconha. na pista mais tarde encontrei ecstasy.

T. me disse que iria ao bar tomar um drink e procurar sua garota (só o reencontrei por volta das cinco em um dos quartos com outra garota), no centro da roda estava o anfitrião da festa, A. (merece uma nota a parte num outro dia de como o conheci). A. é o típico rico que sempre teve tudo menos limite, mas no fundo é muito amigo e tem um bom coração. ao me ver prontamente convidou-me para sentar ao seu lado, entre muitas conversas e risadas fumamos um pouco de maconha. sempre tive medo de cheirar uma carreira de cocaína, não por medo de que possa me fazer mal e sim por medo de gostar e não largar mais. do ecstasy nunca fui com a cara, principalmente por causa dos seus efeitos prolongados. não faço aqui uma apologia a favor do consumo de drogas, nunca ofereci nada a ninguém. sempre respeitei a opinião de qualquer pessoa e todas as suas diferenças. fumo apenas porque gosto, assim como outros gostam de cigarros e bebidas.

levantei-me e a caminho do bar tive minha primeira prova de fogo da noite, encontrei minhas duas ex-ficantes juntas C. e L., elas tornaram-se muito amigas depois de rompermos (fiquei com as duas no mesmo período). resultado, fui esnobado. no bar pedi minha dose habitual de whisky (um johnny walker blue label, reservado apenas para os mais chegados do A.) e fiquei ancorado ao bar onde tinha uma visão privilegiada da pista. enquanto observava o movimento na pista (que já estava cheia com cerca de sessenta pessoas sendo no mínimo quarenta mulheres) e procurava por algo interessante, sentou-se no banquinho ao meu lado o S., um japonês muito louco com quem tive o prazer de dividir por um tempo meu antigo escritório). ele já estava travado (mania de chegar cedo), mas mesmo assim demos boas risadas lembrando dos nossos causos e apertos em dias antigos no escritório.

meia hora e outra dose depois, avistei uma garota que é o meu número. branquinha, olhos azuis, cabelo preto longo e liso, baixinha e magrinha, com uma bunda grande e seios medianos, daqueles que encaixam perfeitamente na mão. Ela vestia um vestidinho preto colado que acentuava ainda mais todas suas curvas. como nunca a tinha visto antes e já estava instigado, fui perguntar a J. (uma garota que sabe de tudo e sobre todos) quem era a garota misteriosa.

seu nome era B. e era sua primeira vez nas festas do A.. como as duas eram amigas, fiz uma pequena ficha sobre a pequena B. e fui me apresentar a ela. algum tempo e muita boa conversa depois fomos a um canto da sala perto das escadas que dão acesso ao segundo andar e lá rolou nosso primeiro beijo e amassos. enquanto isto, reparei que minhas duas ex- não tiravam os olhos de nós dois e me diverti mais ainda com essa situação.

não sei o por que (me digam vocês mulheres), mas este jogo sempre funciona. pedi para B. me aguardar um instante e peguei a chave da suite do flat com o A., na volta fui interrompido duas vezes (cada vez por cada ex-) e a mudança nas duas era notável. a primeira (L.) perguntou se eu estava bem, o que andava fazendo e se ela poderia me ligar um dias desses pra combinarmos alguma coisa. a segunda (C.) seguiu basicamente o mesmo roteiro, mas por ser bem resolvida foi direta e perguntou se o meu rolo com esta nova garota iria durar mais do que estes breves amassos e sugeriu que eu a encontrasse no fundo da cozinha em dez minutos. categoricamente disse sim a primeira e pedi a segunda para aguardar meu sinal perto dali. fui ao encontro da pequena B. rumo a suíte de A.

fechando a porta da suíte a pequena B. tratou de mostrar logo todo seu poder de fogo me agarrando e me enchendo de beijos. como estava cheio de boas idéias e más intenções, pedi um pouco de calma a pequena B. e a sentei na cama. Abrindo a primeira gaveta da cômoda, peguei uma pequena venda. cheguei na pequena B. e cobri seus olhos (adoro sentir a respiração acelerada das mulheres quando vendadas por sempre existir aquela expectativa e insegurança do que virá a seguir). deitei-a na cama e sussurrei ao pé do seu ouvido que já voltava e que iria buscar uma garrafa de vinho e duas taças para ficarmos mais a vontade.

com o vinho e as taças em mão, retornei a suíte com algo que a pequena B. não esperava, a C. de tira a colo. ao ver a pequena B. deitada, C. se excitou na hora com o ménage à trois articulado por mim e como não era nosso primeiro juntos, tínhamos uma boa sintonia. a pequena B. ao notar a presença de C. ficou um pouco chocada mas entre uma taça e outra de vinho e um pouco de conversa, ela confessou que sempre sonhou com uma transa a três. mais relaxada, cedeu aos seus prazeres.

dizem que o ménage à trois é a fantasia predileta de nove dentre dez homens, de fato é. mas não se enganem os puritanos pois a curiosidade feminina é tão grande quanto a nossa.

alguns dos meus amigos acham que por serem o único homem na cama, naturalmente são o centro das atenções e os merecedores de todo o prazer. não compartilho nem um pouco com esta idéia, o maior erro deles está justamente ai. o ménage à trois é sobre o prazer dos três, do desejo compartilhado e da auto-descoberta, sem isto sempre fica a impressão de faltar algo. claro que sempre me divirto e muito, pois só participo quando existe todos os ingredientes citados. neste quesito não sou egocêntrico a tal ponto, me delicio com muitas garotas se descobrindo na cama e quase sempre (principalmente quando é a primeira vez de uma ou de ambas), me dedico ao prazer das duas antes do meu próprio. ao contrário das drogas, recomendo uma boa dose de ménage à trois a todos. a cada experiência tenho uma nova surpresa pois a história de um ménage sempre é diferente de outro.

pessoas livres de tabus e sexualmente resolvidas são mais felizes pois encaram a vida de uma maneira mais leve. procuramos apenas nossa felicidade e claro que temos problemas, todos tem, mas os levamos no mínimo com mais bom humor (ok, o momento paul rabbit de auto-ajuda para por aqui).

ménage é muito bom (pra quem já experimentou me deixem suas notas sobre suas experiências), mas já me desvirtuei demais da história inicial e voltarei a falar da outra festa, a que acontece fora do quarto. me despedi da pequena B. e C. e fui rumo a a varanda me refrescar. no caminho, numa porta entreaberta encontrei T. com outra garota como citei anteriormente, ao me ver convidou-me para outra pequena festinha, desta vez um ménage à trois mfm, mas recusei (estava esgotado) e disse para ele me encontrar no andar de baixo mais tarde para irmos embora.

fumei um filtro e fiquei um tempo fitando o céu, coisa que não fazia a muito tempo. desci e passei pelo bar, pedi mais uma dose de whisky e fui ao encontro do A. para fumarmos um pouco mais e colocarmos o resto da conversa em ordem (com a pista semi vazia e os quartos completamente cheios era o momento ideal para conversar e relaxar). relatei minha pequena festinha a ele e ele contou a dele pra mim (desculpe mulheres mas vocês falam tanto ou mais de suas experiências sexuais com suas amigas, conosco não seria diferente).

uma dose mais tarde, T. finalmente dá o ar da graça para irmos embora. nos despedimos de nossos amigos e T. ofereceu uma carona a sua garota e sua amiga por morarem no mesmo sentido. como estava com um pouco de sono e um tanto anti-social, fingi tirar uma soneca enquanto T. dirigia e se encarregava de conversar com as duas garotas. por fim decidiram que todos iriam dormir na casa dele porque estava tarde e todos muito cansados.

em menos de dez minutos já estávamos na garagem do prédio do T. ao chegar em seu apartamento, ele logo foi para o quarto com sua garota dormir enquanto eu fiquei no sofá da sala assistindo televisão com a amiga dela. conversamos muito pouco e trocamos algumas carícias e beijinhos, nada demais. prefiro ficar sem transar do que transar cansado ou sem vontade. nenhuma fofoca corre mais solta do que sobre sexo, prefiro ficar sem a ser mal cotado no meu círculo de amizades. não sei ao certo quando dormi mas sei que foi rápido, também não lembro o que estava passando na tv.

ao acordar, constatei que as meninas já tinham ido embora e como estava com uma baita dor de cabeça tomei uma longa ducha e tratei de amansar o leão que vive dentro de mim com um belo big mac (nota anterior).

p.s.: peço desculpas pelo tamanho exagerado do texto, só reparei nisto depois de escrevê-lo.
p.s.s.: sobre a nota acima, tamanho é documento.

h-day

ou simplesmente hair day, dia de cortar o cabelo, afinal, tenho que estar nos trinques para a festa de mais tarde.

planos?

hoje acordei com uma vontade de fazer tudo diferente. até agora escrevi apenas pequenas notas por aqui, mas como sempre gosto de experimentar coisas novas (nos mais variados sentidos), decidi escrever algo de verdade, um relato nada emocionante (talvez um pouco) do meu dia.

como prometido não começarei meu relato pela hora que acordei e sim quando fui dormir ou melhor com o assunto que tirou boa parte de meu sono. passei a noite entretido com meu novo vício, ler blogs. nesta noite em específico, selecionei o incompletudes da K.. a K. é uma mulher intensa. garotas assim, são um desafio, é verdade, são complicadas e enigmáticas. e geralmente, valem a pena. não estou aqui levantando uma bandeira vermelha ou algo parecido mas a cada dia que passa, fico mais impressionado com o poder exercido pelas palavras, esta garota tirou meu sono sem tirar nem uma peça de roupa se quer. um ato notável.

por volta das três e tantas da madrugada e já embriagado em grande parte de suas idéias, decidi ir dormir. meu desejado sono no fim das contas tornou-se um breve cochilo pois às cinco e pouquinho meu despertador me arrancou bruscamente de meus sonhos (merda, justo agora que ela estava…). lembrei-me que havia prometido caminhar com minha mãe (que idéia brilhante, ser um bom filho e ainda por cima neste frio!). passado o choque inicial e já bem desperto (nada que uma xícara de café bem quente feito na hora e um pedaço da pizza portuguesa de ontem não ajudem), fui para o sacrifício. confesso que após passar uma horinha com minha mãe, meu humor melhorou, já o sono, nem um pouco. no fim das contas gosto dos meus momentos ao lado dela.

persistindo com minha vontade (normalmente estou dormindo), decidi trabalhar (que se danem os prazos, escolhi ser freelancer justamente para poder fazer o que der na telha! quer saber, vou tirar uma folga), decidi passar a manhã todinha assistindo uma série que baixei no meu notebook, Californication (alguém já assistiu?) com o David Duchovny de X-Files (que também adoro).

após três episódios ou quase isto, cai no sono. acordei com meu celular vibrando (puta merda, é hoje. cochilei faz apenas dez minutos, não é possível! mêo, já são duas e meia! quantas horas eu dormi?), era uma velha amiga me convidando para um churrasco em sua casa, nada mal, para quem queria variar um pouco, o dia promete ser melhor do que a encomenda afinal piscina, garotas bonitas, pouca roupa, muito sol, meus melhores amigos, comida e bebida a vontade. como sempre fiquei no whisky (nem tudo tem que ser diferente). desta pequena festa não tenho muito a declarar, passei a maior parte do tempo bebendo, rindo, apostando no texas hold’em, curtindo o som nas piscina e hmm… deixa pra lá. de mais interessante foi um convite que recebi para uma festa “intima” num flat amanhã a noite numa das área mais nobre de são paulo. estas festas são famosas pelos seus excessos. se você bebe, você fica de porre; se droga, opção é que não falta; mulheres também não (é claro).

cheguei em casa a pouco, adoro a cidade no feriado livre de todo o trânsito, olho no relógio e são dez e três, tenho que trabalhar. como não tenho aula de francês amanhã, vou acordar bem tarde. preciso de um banho, a noite mais uma vez será longa.


autor

R. é audacioso, provocativo e comunicativo. ávido leitor, ele é freqüentador assíduo de livrarias e também um apaixonado pelo cenário underground e cultural de São Paulo. sua paixão por livros rivaliza-se apenas a sua pelas mulheres. leia mais sobre mim.

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