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como essa cachorrada virou namoro?

foi a pergunta que fiz a D., meu melhor amigo, segunda a noite sobre hoje sua ex-namorada. essa pergunta tornou-se um divisor de águas em sua relação já conturbada a alguns meses.

o cenário foi o vegas na rua augusta a pouco mais de um ano, conhecemos a tal e sua amiga lá pelas tantas e a conversa logo virou uma brincadeira a quatro nas semanas seguintes.

após retornar de mais uma mochilada, vi que D. encontrava-se regularmente com a tal. como a vida segue, semanas tornaram-se meses e finalmente meses em um ano.

com a relação já desgastada, surgiram os questionamentos, passamos a semana discutindo se existe uma formula ou um parâmetro determinante para o início de uma relação e se existe futuro numa monogamia que começou com uma cachorrada.

afinal, existe ou não existe?

o que te relaxa?

limites?

limites?

SEXO!

ok, essa era fácil (na maioria dos casos pelo menos, rs). mudarei a pergunta:

o que te relaxa, fora o sexo?

a leitura anda me deixando inquieto ultimamente, talvez pelo conteúdo, talvez pelo que se passa em minha mente. continuo lendo compulsivamente, coisa de cem a duzentas páginas por dia. deixei a literatura em geral estacionada este mês, por isso a lista do que ando lendo não é atualizada. não quero postar livros técnicos ali.

em contrapartida, descobri o que me relaxa no momento.

DESENHAR!

passo metade de meu dia com um lápis na mão rabiscando tudo o que vejo, penso, imagino e sinto.

o desenho tosco ai de cima é meu. tosco porque é tosco, não porque é meu, se bem que sendo meu, tosco é. simples não?

porque um balão?

tenho uma relação especial com balões, direi a vocês o significado destas engenhocas pra mim:

existe limite para essa questão do melhorar sempre?

NÃO, NÃO EXISTE!!!

todo mundo tem que se REINVENTAR até o seu último suspiro. todo mundo tem que buscar ser MELHOR do que ontem TODOS OS DIAS.

a Imagem do balão acima das nuvens significa pra mim EXATAMENTE isso. você acima de tudo, sozinho, na busca da reinvenção, da quebra de paradigmas, SEMPRE, TODOS OS DIAS.

o céu não é o limite! não existe limites.

(palavras do Ricardo Jordão que adotei como minhas desde que as li).

a (belas artes pernas) K. do Incompletudes escreveu em seu blog uma parte da primeira conversa que tivemos. para não ficarmos no passa-repassa (hmm… mais jogos?) escreverei sobre outra parte da conversa que me despertou atenção.

ela me perguntou o que realmente me motiva, aquilo que escondemos sob o travesseiro e não mostramos a ninguém.

não é uma pergunta simples, mas também nada complicado. o que me chamou a atenção, foi que ela foi a primeira pessoa que me perguntou isso na lata na minha vida.

e como nunca havia respondido a essa pergunta, nunca havia me perguntado verdadeiramente sobre ela.

a resposta, eu não direi a vocês, como foi dito, é o tipo de coisa que guardamos sob o travesseiro, neste caso, no meu travesseiro e no da K. (hmm… na mesma cama então?) (mais jogos? rs), pois como ela foi a única a me perguntar, é a única a ter o direito de resposta (não, isso não é monogamia, rs).

a trilha sonora de hoje fica por conta do Sex Pistols, afinal é o que ando escutando sem parar enquanto desenho, desenho e desenho.

Anarchy in the UK – Sex Pistols
(em péssima qualidade e ao vivo, no melhor estilo da banda) 

mas muito pra mim é tão pouco, e pouco é um pouco demais…

esse remédio para insônia é tiro e queda. al�vio imediato!

esse remédio para insônia é tiro e queda. alívio imediato!

deita, rola, enrola, levanta.
faz um chá, fuma um cigarro, deita.
vira, mexe, remexe, assiste uma série qualquer, deita.
respira, levanta, pega o notebook, escreve.

prefiro a noite, o sexo é melhor, o trabalho rende mais, terceiras intenções estão a solta por todos os lados, não tem sol nem barulho, mas existe um porém, a insônia. ela me deixa maluco quando apenas desejo dormir.

meu ritmo de vida anda em descompassado, nunca fumei e bebi tanto, me alimentei mal e fiquei sem me exercitar (sexo não conta) como agora. a insônia tornou-se rainha de minha vida.

vamos aos números:

  • 22 dias.
  • 18 noites de insônia.
  • 5 refeições (pães, salgados, doces, miojo e pastel não conta).
  • 15 mulheres.
  • 375 momentos estressantes (conta precisamente arredondada).
  • 7 bons momentos.

não sei muito de astrologia, mas a balança deste libriano está lastimável. sinto vergonha do tão pouco que li neste mês, mas cadê a concentração?

findado os lamentos, amanhã tenho um encontro.

vamos a livraria, não me culpem, foi sugestão dela, juro! rs. passaremos o fim de tarde, lendo, rindo, conversando, quem sabe um filminho? nada mal… ainda tem o café, seguirei experimentando todos os nespressos até escolher meu preferido.

às vezes me esqueço do caco que estou, nós homens precisamos de muito pouco para sermos felizes, definitivamente! rs.

Muito Pouco – Maria Rita

a noite, a solidão e pequenas maluquices…

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

Roma está em chamas, disse ele enquanto punha mais um drink.
E aqui estou, banhado num rio de xoxotas.
Lá vem, ela pensou.
Mais uma crítica bêbada sobre como tudo era melhor no passado. E como nós, coitados, nascidos tardes demais para ver os Stones em algum lugar ou inalar a boa coca do Studio 54. Nós praticamente perdemos tudo que valha a pena viver para ver. E a pior parte foi que ela concordou com ele.
Aqui estamos, ela pensou, no fim do mundo no fim da civilização do oeste e todos estamos tão desesperados para sentirmos algo qualquer coisa, que caímos uns nos outros e fodemos nossos caminhos ao longo do fim dos dias.

sexta-feira acordei as duas da tarde, estava atrasado, muito, mas nem um pouco preocupado. tomei um banho bem quente e domorado, e fui ao meu closet escolher uma roupa. sapato preto, black jeans, camisa preta, gravata preta, terno preto e para quebrar o tom um cachecol xadrez em tons de cinza. pela roupa, é perceptível que não estava no clima, mais um ray ban e estava pronto para encarar qualquer enterro.

sai de casa e fui visitar um cliente, o sol ainda quente a essa hora me fez praguejar minha escolha para a roupa, mesmo assim segui em frente. cheguei ao cliente discutindo nossos assuntos num tom quase audível de tanto faz e, só prestei atenção quando ele assinou o cheque do meu pagamento.

abro minha agenda e vejo, cortar o cabelo às cinco, fui ao salão, que até hoje não sei o nome, corto lá apenas pelo profissional que lá trabalha, o Ricardo do Mundo dos Cabelos, além de excelente profissional, é um cara muito gente boa, recomendo a todos. mudei completamente meu corte, estava precisando de uma mudança como essa. estou sentindo um pouco de falta da minha franja maior, mas adorei o corte.

ao lado do salão, fica um fran’s café e como não sou de ferro, sentei lá com o Ricardo e ficamos batendo papo até anoitecer. com certeza, esse foi o melhor momento do dia.

de lá, rumei para a livraria cultura. digo com toda a certeza do mundo que ali é meu lugar preferido nessa cidade. o dia em que eu morrer, espero que o céu seja todo catalogado como lá. fui a prateleira de literatura nacional e puxei um livrinho de Clarice (Lispector), A bela e a fera, é diferente por não contar uma história só e sim uma compilação de contos, curto e apreciável, meu tipo de livro no momento. lá também, tomo meu segundo café, peço um nespresso, indicação da Tati. nem lembro de colocar açúcar, sinto aquele gosto forte na garganta, bom do mesmo jeito.

olho no relógio, oito e vinte, saio da livraria correndo, pego um taxi e vou a uma churrascaria encontrar um cliente para fechar um contrato. o preto total na vestimenta se justifica, ataco o cliente a noite toda e fecho o contrato com 12,5% a mais de lucro para minha empresa.

você pensa, fim de noite? missão cumprida? quem me dera, ela está só no começo…

pego outro taxi e peço para descer na esquina da consolação com a paulista. paro na primeira banca e compro um maço de cigarros e um isqueiro bic amarelo.

ando pela av. paulista vagarosa e intimamente como quem conhece cada um de seus pedaços, fumando um filtro atrás do outro. ando fazendo muito isso ultimamente, como que pra colocar as idéias em ordem. a cada passo, troco olhares com as pessoas que passam por mim, poucas o retribuem, dessas poucas quase todas o desviam e ficam envergonhadas ou sem jeito.

sinto-me solitário, passo os olhos pela agenda do meu celular e não encontro ninguém para ligar. ainda estou meio estranho com meu amigo mesmo retomada a amizade, ela não está na cidade no momento e não senti vontade de ligar para nenhuma mulher qualquer. não que essas últimas sejam desprezíveis, pelo contrário, mas elas não são o tipo de companhia para uma noite de muita conversa.

chego ao vão do MASP, sento-me lá e penso nas minhas possibilidades. olho o maço e conto, sexto cigarro, o acendo e o trago já com os pulmões arranhados. volto a caminhar.

passo por um cruzamento e sinto frio, estou bem agasalhado, mas é o tipo de calor que não me aquece. a maioria dos estabelecimentos já estão com suas portas baixas, paro em frente a dois hippies e começo a olhar suas pulseiras e brincos. acho que fiquei uns dois minutos parado ali, também acho que eles falaram comigo, não sei, também não ligo.

metade do maço já foi embora, sinto o pulmão carregado, sinto fome também. penso, onde comer? não estou a fim de um big mac, também não quero um lanche de bar.

passo pelo metrô brigadeiro, e vejo o fran’s que fica em frente. adentro, peço um cinzeiro e o cardápio. acendo um cigarro e percebo que realmente estou com fome, comi apenas um pão francês durante o dia todo. chamo a garota, peço uma poção de mini pães de queijo, um pão de batata e outro cappuccino grande (terceiro café da noite). demora um pouco pra chegar, acendo outro cigarro e começo a reparar nas pessoas.

a minha esquerda tem um senhor com uma lã vermelha, também sozinho, que é a cara do Martin Scorsese, ele está comendo alguma coisa de frango e completamente penetrado na leitura de sua revista (Veja), me desinteresso completamente por ele, não gosto muito dos leitores da Veja.

a minha direita no canto, dois jovens estão se pegando pra valer, sinto um pouco de tesão e penso novamente em duas ou três mulheres que poderia ligar, mas não estava a fim só de sexo, queria apenas conversar com alguém a noite toda.

a minha frente, duas mulheres por volta dos quarenta num ti-ti-ti danada, não sei se falavam mais ou se comiam, mesmo perdido em minha solidão, não gostaria de sentar entre as duas (vai que tomo uma garfada, rs).

chega meu pedido, apago meu cigarro e apenas como e beberico meu café sem pensar em mais nada, peço outra poção de mini pães de queijo e a conta. fumo novamente, dessa vez, o melhor cigarro da noite. estou reconfortado. pago a conta, olho no relógio e vejo, onze horas. penso, não tem mais nada pra mim aqui, voltarei pra casa. não! pra que? pra ficar acordado a noite toda afundado em mais uma insônia?

decido pegar uma balada, nada melhor para afundar uma depressão do que música eletrônica estourando os miolos, além de não ter lugar melhor para arrumar mulheres fáceis. pego um taxi e peço para descer em frente a tal.

não tem fila na porta, todos já estavam lá dentro. no lounge estava rolando um som anos 80, vou ao bar, peço um whisky barato e olho ao redor. a pista está cheia, têm rodinhas de pessoas com passos ensaiados pra lá e pra cá. não estou nem um pouco animado. decido levantar e ver se encontro alguma mulher para gastar uma hora.

entro na pista eletrônica, circulo pela pista, olho pra cima e vejo uma loira com uma mão no corrimão do segundo andar rebolando majestosamente. trocamos alguns olhares, faço menção a minha bebida oferecendo-a, ela sorri e me chama. chego lá, ela toma um gole do meu whisky e tosse, eu sorrio, seguro em sua cintura e começo a dançar colado com ela. não rolou nem uma palavra, a virei e a beijei, continuamos dançando e nos beijando, olhei em seus olhos desejosos, virei e fui embora. não sei nem seu nome.

atravesso a porta que liga a primeira pista a segunda e lá o funk é o som do momento. não gosto do ambiente, mas ver as piriguetes dançando até o chão vale o porre. encosto no bar, peço uma cerveja. olho pro lado e vejo uma mestiça me comendo com os olhos. fico de frente pra ela e a encaro, ela sorri e desvia os olhos, continuo a encará-la, ela me olha novamente e vou ao encontro dela, ela foge de mim. começa um jogo de gato e rato, chego perto, ela vai pra longe, me animo com o jogo, troca de olhares, caras e bocas. a encurralo em um canto, digo: – oi. ela responde: – oi, qual seu nome? digo: – Romeu e o seu? ela: – Aline. pergunto: – por que foges de mim? ela retruca: – por que não me pegou antes? respondo: – qual seria a graça se não existisse o jogo? – qual meu prêmio? ela: – você está muito confiante Romeu, quem disse que tem um prêmio? digo: – sempre existe um prêmio, é dai que nasce minha confiança. – qual meu prêmio? ela diz: – se você tem tanta certeza, como não o descobriu ainda? sorrio e digo: – são as regras do jogo menina. com isso a pego pela cintura e a puxo junto a mim, passo a mão em seu rosto e a beijo. nos pegamos por cerca de meia hora, me sinto inquieto, não é o que quero, afinal o que eu quero? digo que vou pegar uma bebida, ela pede meu telefone, invento um número, vou embora.

volto ao lounge, a pista está mais cheia, mais animada também. na caixa toca RPM, olhar 43. vou a pista, vejo um grupo de garotas dançando. me aproximo da mais bonita da roda, uma moreninha toda linda e me apresento: – oi. eu sou o Ricardo, você? ela: – Juliana. pergunto: – gosta do som? ela: – sim, adoro o Paulo Ricardo. sorrio e digo: – eu também, tenho um bolachão do Rádio Pirata de 1986, uma das minhas raridades! ela sorrindo pela primeira vez diz: – não brinca! também tenho e é o meu favorito deles! era o que eu precisava, quebrei o gelo numa tacada de sorte. quem liga pra isso? se a sorte não serve pra isso, pra que então? sentamos num dos bancos que tem aos montes no lounge e começamos a conversar sobre música e gostos em geral. numa pausa digo que estava reparando nela desde a hora que havia chegado e pergunto se ela tem namorado. ela me diz que não. fica aquele silêncio, rola um clima. nessa hora, a maioria das pessoas não sabem o que fazer, eu normalmente não ligo, pra mim tanto faz, coloco minha mão em seu pescoço e começo a acaricia-la, digo que seu perfume é muito gostoso, chego mais perto e lhe cheiro o pescoço, ela arrepia, é minha deixa. olho-a nos olhos e lhe tasco um beijo. ela me olha e lhe dou outro e mais outro. olho no relógio, são duas horas, digo que preciso ir embora e pego seu telefone.

chego na saída, paro, respiro e entro novamente na porta ao lado, a da pista eletrônica. vou a um canto da pista e sento em um dos sofás, sinto o cansaço do dia todo descer sobre mim. lanço meu olhar de paisagem pela vista e fico ali, sentado, só relaxando.

três e doze, busco o foco em meus olhos e reparo na pista. é a famosa cena de fim de feira, conversa fiada para todo lado, ponta de estoque em promoção, laranja mofada fazendo sucesso. solto uma gargalhada e penso: – é o fim, estou no inferno! cadê o capeta para tomarmos um drink no inferno? (aliás, gosto desse filme maluco até o caroço, com o George Clooney e o Quentin Tarantino) os casais ao meu lado me olham com espanto, cochicham, esse ai deve estar bêbado…

um pouco a minha frente, três garotas dançam fazendo graça, reparo nelas. chega um grupo de rapazes, cada um gruda em uma, conversa pra cá, pra lá e rapidamente são despachados. dou 1,5 pela abordagem mais 2,0 pela coragem de chegarem em garotas tão bonitas feios como são. chega outro, e outro. todos dispensados. começo a divertir-me com a situação.

mais uma rodada e nada. duas delas se divertem com a situação tanto quanto eu, a outra já meio emburrada, olha para os lados, fala alguma coisa inaudível para as amigas e senta num espaço vago no sofá ao meu lado. ao chegar disse: – está ocupado, posso sentar? me ajeito e respondo: – sim, fique a vontade. passa algum tempo, puxo conversa: – cansada? ela responde: – sim, meus pés estão me matando. dancei a noite toda. digo a ela: – tire o salto, aqui no cantinho ninguém vai ver. ela os tira e eu pergunto: – qual seu nome? ela: – Fernanda e o seu? digo: – Raphael, muito prazer. mora por aqui? ela: – mais ou menos, moro em higienópolis, sabe? respondo: – sim, conheço bem aquele pedaço, principalmente aquele perto do IED. ela diz: – legal, moro ali pertinho e você? digo: – moro próximo a av. paulista, mas meu contrato de aluguel vence esse mês e sairei de lá. ela: – hmm, vai pra onde? eu: – a principio voltarei a casa de minha mãe pois pretendo mochilar daqui um mês ou dois pelo sul do país. como ficarei um bom tempo fora, não procurei nada direto. ela: – legal! adoro viajar. digo sorrindo: – vem comigo, vai ser divertido. vem comigo, no caminho eu te explico. ela: – eu amo Cazuza! e é melhor não brincar que é arriscado eu ir mesmo hein, rs. eu digo: – falando em ir, está na minha hora. ela: – que pena, acho que eu e minhas amigas já vamos também, odeio fim de balada. digo: – também não gosto muito, estou aqui por preguiça de voltar pra minha casa e ficar sozinho lá. ela: – estou na mesma, esse é um dos problemas em morar sozinha. digo a ela: – quer companhia? ela rindo: – nem te conheço! rs digo: – nem eu te conheço e, olha o risco que estou correndo ao te propor isso, posso estar nesse momento me oferecendo a uma seqüestradora, assassina ou coisa pior. eu me arrisco por você, você não? ela: – eu não sou nada disso! tá doido? rs eu: – tem certeza? você tem uma cara de maluquinha viu, sei não… vou correr riscos sozinho com você? ela: – claro que não! pega suas coisas e vamos embora.

parei e pensei: – que porra é essa? ela não queria me levar pra sua casa, por medo, sei lá, e eu virei o jogo só na psicologia barata e ela nem se ligou. fiquei decepcionado com a facilidade desse jogo…

entrei no carro com as amigas delas e fomos no pegando no banco de trás até sua casa. lá dentro, olho ao redor e penso: – meu Deus! que confusão! e eu achando que eu era bagunceiro… isso é o de menos, pego a garota, começo a beijá-la e tirar sua roupa. pego uma camisinha, jogo as tralhas da mesa pro chão e transamos ali mesmo. de lá fomos para o chão e finalizamos na parede do corredor. não vi seu quarto, não queria e nem precisava.

juntei minhas roupas, peguei um taxi e fui embora. ela não ficou muito feliz, mas não ligo, era pra ser só aquilo mesmo.

essa noite tive, três cafés, quatro mulheres, uma transa e mesmo assim muita solidão. hoje dia 15, fiz as contas e já tive 12 mulheres no mês. e não estou nem um pouco feliz.

estou doido para sentir algo que me faça saber vivo, que seja ódio, paixão, frio na barriga, o caralho a quatro que o seja, mas que somente uma grande mulher consegue despertar.

estou atrás de uma grande mulher, um grande desafio, acho que é disso que preciso. (só pra constar, uma grande mulher não é necessariamente uma grande namorada).

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London, is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, i am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here, nowhere to go

RPM – London, London

o reencontro, a meretriz e o mimo

casa de meretrizes

casa de meretrizes

sexta passada reencontrei um amigo que não via há um ano. somos amigos a mais de dez anos e após uma briga feia por motivos hoje considerados fúteis rompemos nossa amizade. confesso que senti uma baita falta da amizade de D. e sempre o considerei meu melhor amigo. sou um cara muito orgulhoso e não dei o braço a torcer assim como ele. acredito que a amizade funciona mais ou menos como um namoro. excesso de convivência desgasta e cria pequenos conflitos ao longo do tempo e uma hora, a bolha explodi.

fomos a um bar que conhecemos de longa data, o freqüentamos desde a época em que começamos a sair juntos quando tínhamos nossos dezesseis anos. cheguei meia hora atrasado e ele já estava numa mesa bebendo. demos um abraço tímido, pedi um drink e começamos a conversar. cinco minutos depois nem parecia que havíamos brigado, estávamos rindo muito e colocando toda a conversa em dia.

como estávamos afiados decidimos fazer o que sempre fizemos de melhor juntos, paquerar as mulheres ao nosso redor. temos um pequeno ritual, tiramos no palito para ver quem vai à outra mesa se apresentar e abrir terreno para o parceiro. o sorteado por sua vez, pode escolher a mesa e a garota que bem entender. nessa noite o sorteado foi o D., ele escolheu uma mesa com uma loira e uma ruiva e me avisou que a loira era dele. três tragadas de cigarro, ele me chama com um aceno, pego meu copo, pertences e me junto à festa.

a ruiva era meio cavalona, mas bonita enquanto a loira era baixinha, porém bem gostosa. elas não faziam muito meu tipo, mas como o direito de escolha era de D., não tinha muito o que argumentar. livre de qualquer vontade resolvi apenas tirar um barato. pedimos uma pizza e mandamos ver nas bebidas. as horas voaram e nem me dei conta, uma coisa não posso negar, as duas eram extremamente simpáticas. D. perguntou as duas se elas não queriam ir ao apartamento dele para fazermos uma pequena festinha (confesso que foi um convite nada sutil, mas como não queria nada demais com nenhuma delas, fiz coro). as duas entreolharam-se e meio sem graça recusaram. com nada mais para render, pedimos a conta e fomos embora.

como ainda era cedo e era uma noite para se comemorar, discutíamos para qual bar iríamos até que D. me propôs uma visita a uma “casa de damas” perto dali. lancei-lhe um olhar meio irônico e disse que iria só se ele pagasse minha conta porque não seria muito difícil me arranjar nessa noite. ele rindo de deboche de mim disse que não duvidava, mas que mesmo assim a noite merecia um final para ser lembrado.

chegando lá, vimos que era um lugar simples por dentro. tinha um pequeno sofá meio velho, a tradicional luz vermelha, algumas mesas, uma pequena pista com um som velho e um bar repleto de bebidas vagabundas. o local não estava muito cheio, ao todo deveria ter meia dúzia de gatos pingados. sentamos numa mesa de canto e começamos a trocar olhares com algumas meninas. duas delas levantaram-se e sentaram ao nosso lado. D. logo afoito pegou uma delas e a levou ao quarto, eu como não me faço de rogado, comecei a instigar a menina até que ela suplica-se por meu pau dentro dela. ela estava puro fogo e eu me divertia com sua insistência.

finalmente a levei a um quarto, era pequeno e abafado. tinha apenas uma cômoda, uma cama (que rangia sem parar) e um pequeno armário para pendurar as roupas. confesso que não sou muito fã de putas, essa foi apenas a terceira vez que estive com uma. adoro intimidade durante o sexo e isso não é uma coisa que se possa encontrar nesses lugares. gosto de beijar na boca, arranhar, lamber, apertar. falando de uma maneira chula, só meter cansa e depois de algum tempo fica bem chato. 60% (no mínimo) do sexo pra mim não envolve diretamente a penetração.

resultado? minha putinha gozou três vezes e eu nem vontade senti. ela já sem fôlego pediu um tempo e me disse que queria que o namorado dela fosse como eu na cama, que demorasse a gozar e não se cansasse fácil. sarcasticamente respondi que com uma mulher como ela na cama, eu agüentaria a noite inteira fácil fácil. acho que ela não entendeu minha tirada, pois me pediu para esperar um minuto e foi até suas roupas. pegou sua pulseira (feia que dói), me deu de presente e disse que era um mimo para eu sempre me lembrar dela quando a usasse. me abraçou e disse que eu não precisava pagar a conta, cortesia dela. agradeci e me troquei (não queria mais uma sessão sem sal, nem de graça). bati na porta de D. e o chamei para ir embora. ele vestiu-se a contragosto e saímos.

paramos no Fran’s Café que ficava a três esquinas dali e fechamos a noite com chave de ouro enquanto ele não parava de rir pelo fato de eu não ter gozado e receber como prêmio de consolação uma bijouteria horrorosa da uma meretriz.

com certeza será um reencontro que renderá risadas por muitos e muitos anos. nossa parceria está refeita e muitas histórias e mulheres estão por vir.

o cupido, as mulheres e o dia dos namorados

cupido

cupido

dizem que o cupido anda a solta no dia dos namorados enquanto as mulheres a caça. o desespero de algumas pra laçar alguém chega a ser cômico. umas fazem mandingas, outras apelam para o Santo Antônio e as mais determinadas se juntam as amigas e vão para bares, baladas, festas e afins.

o dia 12 pra mim foi bem atípico, pois o passei inteiro trabalhando num evento no Maksoud Plaza. um congresso médico com um cliente (hmm… médicas). acredito ter me apaixonado duas vezes nesse dia por mulheres diferentes. não aquelas paixões bobinhas e meigas e sim daquelas que a cabeça de baixo é nosso melhor conselheiro, rs. não sou o tipo do cara que morre de amores, mas me apaixono pelo menos uma vez ao dia.

a primeira foi logo ao entrar no Maksoud, sentei numa das poltronas do lounge e comecei a ler meu livro. pouco depois, entra uma linda mulher (por volta dos trinta anos, estatura mediana, magrinha, porém gostosa, cabelos negros e compridos, branquinha, olhos castanho mel e um belo sorriso) e senta exatamente no sofá a minha frente e começa a ler também. entre um parágrafo e outro rolavam alguns olhares, aquela paquera básica e resolvi me apresentar. fui até ela, me apresentei e sentei ao seu lado. perguntei sobre o livro que ela estava lendo e tivemos uma boa conversa (além de tudo, inteligente). trocamos cartões e ficamos de marcar um encontro num dia desses.

a segunda conheci no fim da tarde, por volta das cinco, quando dei um pulinho na FNAC da Av. Paulista que fica um quarteirão a frente. perambulei um pouco, comprei um livro da Hilda Hilst (entrou para a lista de leituras do mês que vem) e fui ao café que fica no segundo andar. lá, reparei numa pequena fila e vi que teria um show do Simoninha por lá e como só tinha casais nem me animei. sentei numa mesa de canto, pedi um cappuccino (grande) e comecei a folhear minha nova aquisição. olhando o ambiente ao redor, reparei e desde então não tirei os olhos de uma loirinha (por volta dos vinte e pouquinho, baixinha e olhos esverdeados) que digitava compulsivamente no seu notebook. levantei à surdina e cheguei ao lado dela dizendo, “com licença, o café está um pouco cheio e não tem nenhuma mesa livre (realmente não tinha, pois depois que sai de minha mesa logo sentou alguém), você se importa de eu sentar ao seu lado?”. ela com um sorriso fácil me respondeu que não e me ofereceu a cadeira ao seu lado para me sentar. ofereci um café a ela e pedi outro. conversamos um pouco sobre tudo (adoro conhecer pessoas em livrarias) e pouco depois começou o show (pra quem não conhece, a FNAC tem um palco ao lado do café). rolou aquele clima ao som de Simoninha e começamos a nos beijar.

assisti um pouco do pocket show e recebi uma ligação do Harper (amigo) me convidando para ir a um barzinho que adoro na Vila Mariana. dei uma desculpa pra menina, peguei seu telefone e fui encontrá-lo. chegando lá fiquei impressionado, tinha mais mulher solteira em bando do que ar respirável. sentamos-nos na mesa de sempre, pedimos nossa garrafa do clube do whisky, acendi um cigarro e começou o bombardeio. recebemos onze bilhetinhos ao todo, seis dele e cinco meus, além de algumas abordagens do tipo, “minha amiga ali quer te conhecer” (odeio esse tipo de abordagem, se quer me conhecer que estufe o peito e venha pessoalmente, eu gosto de atitude). tinha algumas mulheres interessantes por lá, mas não tava a fim de esticar com ninguém. minha agenda de telefones já está bem nutrida. Harper por sua vez, fazendo as honras da casa, distribuiu cartões (não sou tão cara de pau assim para distribuir meus cartões com muitas pretendentes ao redor) e saiu de lá com uma morenaça estonteante.

cheguei em casa relativamente cedo, tomei uma ducha e dormi rapidamente (excesso de whisky é sonífero, rs).

professora de história

embalado pelos ares nostálgicos que circulam pelo meu blog, relatarei outra história de meus anos aborrecentes.

sempre fui atleta na minha adolescência, colecionava medalhas. quando mais novo era nadador, ao entrar no colegial migrei para o futebol. jogava no time do colégio mas não por gostar de esportes e sim pelo status, roupas diferenciadas, marias chuteiras e bolsa integral que era concedida aos atletas. o acordo com meu pai era o seguinte, como havia conquistado a bolsa, o dinheiro da mensalidade era meu. casamento perfeito, dinheiro no bolso e muitas mulheres no pé.

arrisco a dizer que essa foi uma das épocas que mais tive garotas de uma só vez na vida, elas queriam notoriedade por andar com atletas e eu queria era estar entre as suas pernas. ao meu ver, era uma troca justa, ambos tinham o que tanto queriam.

nunca fui um aluno exemplar, criava conflitos um atrás do outro com diversos professores, matava muita aula e pra passar de ano colava nas provas. existia um porém, não lembro de ter faltado a uma aula de história, não pela matéria e sim pela professora, a desejava, fantasiava com aquela professora.

pelos corredores corriam boatos sobre ela, diziam que ela era tarada pelos atletas, muito dos jogadores mais velhos contavam histórias sobre trepadas com ela escondidas pelos cantos do centro de treinamento ou alojamento.

lembro-me de sempre retrucar, “você e a professora V.L.? deixa de contar história mané, você não pega nem mulher direito e vem me dizer que trepou com aquela gostosa, só acredito vendo!”. e não é que vi!

já estávamos em novembro, neste ano chegamos a final do campeonato nacional entre colégios e fomos campeões. foi um grande jogo, guardo grandes lembranças dessa conquista. guardo ainda mais lembranças da festa pós título exclusiva para os jogadores.

o ônibus da delegação chegou ao colégio, a comissão e jogadores rumaram para o alojamento onde seria o local da festa. como minha casa era próxima ao colégio, nunca morei no alojamento, portanto decidi passar em casa para deixar minhas coisas e tomar uma ducha.

ao voltar, a festa já estava pegando fogo. realizei duas fantasias nesta noite. a primeira, participar de uma suruba. a segunda e que me pegou de surpresa, encontrei minha professorinha divertindo-se entre dois jogadores. louco de desejo, fiz questão de participar da festinha e a tive ali mesmo junto com meus dois amigos naquela noite.

na gaveta guardo minha medalha e na memória minha melhor professora. com ela aprendi pouco sobre história mas muito sobre sacanagem.


autor

R. é audacioso, provocativo e comunicativo. ávido leitor, ele é freqüentador assíduo de livrarias e também um apaixonado pelo cenário underground e cultural de São Paulo. sua paixão por livros rivaliza-se apenas a sua pelas mulheres. leia mais sobre mim.

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