são duas da manhã, duas pessoas se encontram conversando em um canto no jardim de inverno de uma bela e bem planejada casa em um dos bairros mais nobres da cidade.
- como se chama?
- me chamo R. e você?
- Ulisses, muito prazer.
- igualmente.
na sala de estar, improvisada como pista de dança, Duffy esbanja sua melancolia a uma platéia de intelectuais, alternativos, gays e drogados.
- o que você faz?
- sou designer e você?
- sou ator de teatro.
- legal, está com alguma peça em cartaz?
- não, mas recebi um texto para montar uma peça em novembro…
um novato e um completo desconhecido recebem o bilhete dourado para embarcar neste bizarro e louco mundo a apenas duas horas e meia.
- você é muito lindo sabia?
- obrigado.
- adoro seus olhos azuis, eles brilham na noite…
- obrigado.
- estou morrendo de vontade de te beijar…
(ele avança, viro o rosto e ele beija minha maça esquerda)
a noite é fria, mas não faltam bebidas de todos os tipos e gostos para aquecer e enlouquecer a multidão polvorosa. a dupla, como de costume, ataca apenas os whiskys de boa qualidade.
- me desculpe, mas eu gosto apenas de mulheres.
- é uma pena, na verdade, um desperdício.
(esboço um sorriso compreensivo)
- você me deixa maluco, tem certeza de que você não é gay mesmo?
(ele avança novamente, viro o rosto e recebo um beijo na outra maça)
- sim, tenho certeza.
(olho para meu amigo, ele compreende o sinal e interrompe nossa conversa)
- foi um prazer te conhecer.
- você pode me dar seu telefone?
- fique com meu cartão.
em quase todas os lugares em que vou alguém me pergunta se sou gay. acredito que seja uma pergunta comum, mas a partir do momento em que alguém te pergunta se você tem certeza de que não é gay mesmo, muda o cenário. é o tipo de pergunta, vou além, provocação que não tem volta. é sua confirmação, seu sim ou seu não definitivo.
sempre soube o que era, agora não restam dúvidas. sou hetero, sempre fui e sempre serei.
às vezes, quando se é jovem, você acha que nada pode te machucar.
é como ser invencível. sua vida toda está a sua frente e você tem grandes planos.
grandes planos.
achar seu par perfeito. aquele que te completa.
mas conforme vai envelhecendo, percebe que nem sempre é tão fácil assim.
só no fim da vida percebe que os planos que fez são só planos. pois no final, quando olha para trás ao invés de para frente, que você quer acreditar que fez o máximo com o que a vida te deu.
quer acreditar que está deixando algo de bom para trás.
você quer que tudo tenha sido importante.
quantas pessoas especiais mudam?
quantas vidas estão vivendo estranhamente?
aonde estava você enquanto estávamos ficando doidões?
ok, essa era fácil (na maioria dos casos pelo menos, rs). mudarei a pergunta:
o que te relaxa, fora o sexo?
a leitura anda me deixando inquieto ultimamente, talvez pelo conteúdo, talvez pelo que se passa em minha mente. continuo lendo compulsivamente, coisa de cem a duzentas páginas por dia. deixei a literatura em geral estacionada este mês, por isso a lista do que ando lendo não é atualizada. não quero postar livros técnicos ali.
em contrapartida, descobri o que me relaxa no momento.
DESENHAR!
passo metade de meu dia com um lápis na mão rabiscando tudo o que vejo, penso, imagino e sinto.
o desenho tosco ai de cima é meu. tosco porque é tosco, não porque é meu, se bem que sendo meu, tosco é. simples não?
porque um balão?
tenho uma relação especial com balões, direi a vocês o significado destas engenhocas pra mim:
existe limite para essa questão do melhorar sempre?
NÃO, NÃO EXISTE!!!
todo mundo tem que se REINVENTAR até o seu último suspiro. todo mundo tem que buscar ser MELHOR do que ontem TODOS OS DIAS.
a Imagem do balão acima das nuvens significa pra mim EXATAMENTE isso. você acima de tudo, sozinho, na busca da reinvenção, da quebra de paradigmas, SEMPRE, TODOS OS DIAS.
o céu não é o limite! não existe limites.
(palavras do Ricardo Jordão que adotei como minhas desde que as li).
a (belas artes pernas) K. do Incompletudes escreveu em seu blog uma parte da primeira conversa que tivemos. para não ficarmos no passa-repassa (hmm… mais jogos?) escreverei sobre outra parte da conversa que me despertou atenção.
ela me perguntou o que realmente me motiva, aquilo que escondemos sob o travesseiro e não mostramos a ninguém.
não é uma pergunta simples, mas também nada complicado. o que me chamou a atenção, foi que ela foi a primeira pessoa que me perguntou isso na lata na minha vida.
e como nunca havia respondido a essa pergunta, nunca havia me perguntado verdadeiramente sobre ela.
a resposta, eu não direi a vocês, como foi dito, é o tipo de coisa que guardamos sob o travesseiro, neste caso, no meu travesseiro e no da K. (hmm… na mesma cama então?) (mais jogos? rs), pois como ela foi a única a me perguntar, é a única a ter o direito de resposta (não, isso não é monogamia, rs).
a trilha sonora de hoje fica por conta do Sex Pistols, afinal é o que ando escutando sem parar enquanto desenho, desenho e desenho.
Anarchy in the UK – Sex Pistols
(em péssima qualidade e ao vivo, no melhor estilo da banda)
John F. Kennedy disse que a coragem da vida é uma magnífica mistura de triunfo e tragédia. um homem faz o que precisa, sem pensar nas conseqüências, sem pensar nos obstáculos e estragos e na pressão, e essa é a base de toda moralidade. Friedrich Nietzsche segue a mesma linha de pensamento.
acredito que um homem só é honesto consigo mesmo e com todos ao seu redor quando atinge a plenitude em todos os seus atos. ultimamente tenho feito muitas besteiras, na verdade uma atrás da outra. sabe, por toda minha vida, sempre fiz de tudo para agradar aos outros, mesmo que me fosse prejudicial. sempre foi assim com amigos, família, mulheres, contatos profissionais.
desde sempre fui taxado como bom no que faço, sempre disseram que era talentoso, diferenciado e que teria um grande futuro pela frente. a pressão e expectativa que sempre existiu em torno de mim sempre me sufocou, dai nasceu minha necessidade de agradar a tudo e a todos, mas isso nunca me fez feliz realmente. até hoje busco meu limite, meu ápice e o que consegui não passou de uma perseguição infinita a minha sombra grande sombra.
quando comecei esse blog, minha primeira descrição citava que estava partindo, iria viajar por ai e apagar minha trilha na poeira. decisão fácil não? começar do zero, sem nenhuma sombra pra perseguir.
não farei mais isto, vou ficar aqui. me dedicarei ao meu curso de francês que recomeça agora em agosto, melhorarei meu inglês para que ele seja realmente fluente, voltei a recapitular algumas matérias básicas para voltar a estudar, farei a faculdade que sempre sonhei. tudo porque gosto, porque é o que quero pra mim.
também não lutarei mais pelo o que os outros vêem para mim e minha vida. a partir de hoje, tomarei decisões pensando em mim e no que acho ser melhor pra mim. não competirei mais para ser melhor do que os outros, competirei para ser melhor do que eu mesmo ontem. darei o máximo de eu pra eu mesmo e farei o que for possível pelos outros.
moralidade pra mim é isto, dar o máximo de você sempre. o que é moralidade pra você?
ps – uma citação me fez repensar em quase toda a minha vida e de tabela, escrever um bocado. ando falando muito sobre o cara que quero ser, está na hora de apenas sê-lo. pode deixar que os manterei informados.
você está pensando sobre o que no mundo?
rir na cara do amor
o que você está tentando fazer na terra?
é até você, é você
esse remédio para insônia é tiro e queda. alívio imediato!
deita, rola, enrola, levanta.
faz um chá, fuma um cigarro, deita.
vira, mexe, remexe, assiste uma série qualquer, deita.
respira, levanta, pega o notebook, escreve.
prefiro a noite, o sexo é melhor, o trabalho rende mais, terceiras intenções estão a solta por todos os lados, não tem sol nem barulho, mas existe um porém, a insônia. ela me deixa maluco quando apenas desejo dormir.
meu ritmo de vida anda em descompassado, nunca fumei e bebi tanto, me alimentei mal e fiquei sem me exercitar (sexo não conta) como agora. a insônia tornou-se rainha de minha vida.
vamos aos números:
22 dias.
18 noites de insônia.
5 refeições (pães, salgados, doces, miojo e pastel não conta).
não sei muito de astrologia, mas a balança deste libriano está lastimável. sinto vergonha do tão pouco que li neste mês, mas cadê a concentração?
findado os lamentos, amanhã tenho um encontro.
vamos a livraria, não me culpem, foi sugestão dela, juro! rs. passaremos o fim de tarde, lendo, rindo, conversando, quem sabe um filminho? nada mal… ainda tem o café, seguirei experimentando todos os nespressos até escolher meu preferido.
às vezes me esqueço do caco que estou, nós homens precisamos de muito pouco para sermos felizes, definitivamente! rs.
e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão
Roma está em chamas, disse ele enquanto punha mais um drink. E aqui estou, banhado num rio de xoxotas. Lá vem, ela pensou. Mais uma crítica bêbada sobre como tudo era melhor no passado. E como nós, coitados, nascidos tardes demais para ver os Stones em algum lugar ou inalar a boa coca do Studio 54. Nós praticamente perdemos tudo que valha a pena viver para ver. E a pior parte foi que ela concordou com ele. Aqui estamos, ela pensou, no fim do mundo no fim da civilização do oeste e todos estamos tão desesperados para sentirmos algo qualquer coisa, que caímos uns nos outros e fodemos nossos caminhos ao longo do fim dos dias.
sexta-feira acordei as duas da tarde, estava atrasado, muito, mas nem um pouco preocupado. tomei um banho bem quente e domorado, e fui ao meu closet escolher uma roupa. sapato preto, black jeans, camisa preta, gravata preta, terno preto e para quebrar o tom um cachecol xadrez em tons de cinza. pela roupa, é perceptível que não estava no clima, mais um ray ban e estava pronto para encarar qualquer enterro.
sai de casa e fui visitar um cliente, o sol ainda quente a essa hora me fez praguejar minha escolha para a roupa, mesmo assim segui em frente. cheguei ao cliente discutindo nossos assuntos num tom quase audível de tanto faz e, só prestei atenção quando ele assinou o cheque do meu pagamento.
abro minha agenda e vejo, cortar o cabelo às cinco, fui ao salão, que até hoje não sei o nome, corto lá apenas pelo profissional que lá trabalha, o Ricardo do Mundo dos Cabelos, além de excelente profissional, é um cara muito gente boa, recomendo a todos. mudei completamente meu corte, estava precisando de uma mudança como essa. estou sentindo um pouco de falta da minha franja maior, mas adorei o corte.
ao lado do salão, fica um fran’s café e como não sou de ferro, sentei lá com o Ricardo e ficamos batendo papo até anoitecer. com certeza, esse foi o melhor momento do dia.
de lá, rumei para a livraria cultura. digo com toda a certeza do mundo que ali é meu lugar preferido nessa cidade. o dia em que eu morrer, espero que o céu seja todo catalogado como lá. fui a prateleira de literatura nacional e puxei um livrinho de Clarice (Lispector), A bela e a fera, é diferente por não contar uma história só e sim uma compilação de contos, curto e apreciável, meu tipo de livro no momento. lá também, tomo meu segundo café, peço um nespresso, indicação da Tati. nem lembro de colocar açúcar, sinto aquele gosto forte na garganta, bom do mesmo jeito.
olho no relógio, oito e vinte, saio da livraria correndo, pego um taxi e vou a uma churrascaria encontrar um cliente para fechar um contrato. o preto total na vestimenta se justifica, ataco o cliente a noite toda e fecho o contrato com 12,5% a mais de lucro para minha empresa.
você pensa, fim de noite? missão cumprida? quem me dera, ela está só no começo…
pego outro taxi e peço para descer na esquina da consolação com a paulista. paro na primeira banca e compro um maço de cigarros e um isqueiro bic amarelo.
ando pela av. paulista vagarosa e intimamente como quem conhece cada um de seus pedaços, fumando um filtro atrás do outro. ando fazendo muito isso ultimamente, como que pra colocar as idéias em ordem. a cada passo, troco olhares com as pessoas que passam por mim, poucas o retribuem, dessas poucas quase todas o desviam e ficam envergonhadas ou sem jeito.
sinto-me solitário, passo os olhos pela agenda do meu celular e não encontro ninguém para ligar. ainda estou meio estranho com meu amigo mesmo retomada a amizade, ela não está na cidade no momento e não senti vontade de ligar para nenhuma mulher qualquer. não que essas últimas sejam desprezíveis, pelo contrário, mas elas não são o tipo de companhia para uma noite de muita conversa.
chego ao vão do MASP, sento-me lá e penso nas minhas possibilidades. olho o maço e conto, sexto cigarro, o acendo e o trago já com os pulmões arranhados. volto a caminhar.
passo por um cruzamento e sinto frio, estou bem agasalhado, mas é o tipo de calor que não me aquece. a maioria dos estabelecimentos já estão com suas portas baixas, paro em frente a dois hippies e começo a olhar suas pulseiras e brincos. acho que fiquei uns dois minutos parado ali, também acho que eles falaram comigo, não sei, também não ligo.
metade do maço já foi embora, sinto o pulmão carregado, sinto fome também. penso, onde comer? não estou a fim de um big mac, também não quero um lanche de bar.
passo pelo metrô brigadeiro, e vejo o fran’s que fica em frente. adentro, peço um cinzeiro e o cardápio. acendo um cigarro e percebo que realmente estou com fome, comi apenas um pão francês durante o dia todo. chamo a garota, peço uma poção de mini pães de queijo, um pão de batata e outro cappuccino grande (terceiro café da noite). demora um pouco pra chegar, acendo outro cigarro e começo a reparar nas pessoas.
a minha esquerda tem um senhor com uma lã vermelha, também sozinho, que é a cara do Martin Scorsese, ele está comendo alguma coisa de frango e completamente penetrado na leitura de sua revista (Veja), me desinteresso completamente por ele, não gosto muito dos leitores da Veja.
a minha direita no canto, dois jovens estão se pegando pra valer, sinto um pouco de tesão e penso novamente em duas ou três mulheres que poderia ligar, mas não estava a fim só de sexo, queria apenas conversar com alguém a noite toda.
a minha frente, duas mulheres por volta dos quarenta num ti-ti-ti danada, não sei se falavam mais ou se comiam, mesmo perdido em minha solidão, não gostaria de sentar entre as duas (vai que tomo uma garfada, rs).
chega meu pedido, apago meu cigarro e apenas como e beberico meu café sem pensar em mais nada, peço outra poção de mini pães de queijo e a conta. fumo novamente, dessa vez, o melhor cigarro da noite. estou reconfortado. pago a conta, olho no relógio e vejo, onze horas. penso, não tem mais nada pra mim aqui, voltarei pra casa. não! pra que? pra ficar acordado a noite toda afundado em mais uma insônia?
decido pegar uma balada, nada melhor para afundar uma depressão do que música eletrônica estourando os miolos, além de não ter lugar melhor para arrumar mulheres fáceis. pego um taxi e peço para descer em frente a tal.
não tem fila na porta, todos já estavam lá dentro. no lounge estava rolando um som anos 80, vou ao bar, peço um whisky barato e olho ao redor. a pista está cheia, têm rodinhas de pessoas com passos ensaiados pra lá e pra cá. não estou nem um pouco animado. decido levantar e ver se encontro alguma mulher para gastar uma hora.
entro na pista eletrônica, circulo pela pista, olho pra cima e vejo uma loira com uma mão no corrimão do segundo andar rebolando majestosamente. trocamos alguns olhares, faço menção a minha bebida oferecendo-a, ela sorri e me chama. chego lá, ela toma um gole do meu whisky e tosse, eu sorrio, seguro em sua cintura e começo a dançar colado com ela. não rolou nem uma palavra, a virei e a beijei, continuamos dançando e nos beijando, olhei em seus olhos desejosos, virei e fui embora. não sei nem seu nome.
atravesso a porta que liga a primeira pista a segunda e lá o funk é o som do momento. não gosto do ambiente, mas ver as piriguetes dançando até o chão vale o porre. encosto no bar, peço uma cerveja. olho pro lado e vejo uma mestiça me comendo com os olhos. fico de frente pra ela e a encaro, ela sorri e desvia os olhos, continuo a encará-la, ela me olha novamente e vou ao encontro dela, ela foge de mim. começa um jogo de gato e rato, chego perto, ela vai pra longe, me animo com o jogo, troca de olhares, caras e bocas. a encurralo em um canto, digo: - oi. ela responde: - oi, qual seu nome? digo: - Romeu e o seu? ela: - Aline. pergunto: - por que foges de mim? ela retruca: - por que não me pegou antes? respondo: – qual seria a graça se não existisse o jogo? – qual meu prêmio? ela: - você está muito confiante Romeu, quem disse que tem um prêmio? digo: - sempre existe um prêmio, é dai que nasce minha confiança. – qual meu prêmio? ela diz: - se você tem tanta certeza, como não o descobriu ainda? sorrio e digo: - são as regras do jogo menina. com isso a pego pela cintura e a puxo junto a mim, passo a mão em seu rosto e a beijo. nos pegamos por cerca de meia hora, me sinto inquieto, não é o que quero, afinal o que eu quero? digo que vou pegar uma bebida, ela pede meu telefone, invento um número, vou embora.
volto ao lounge, a pista está mais cheia, mais animada também. na caixa toca RPM, olhar 43. vou a pista, vejo um grupo de garotas dançando. me aproximo da mais bonita da roda, uma moreninha toda linda e me apresento: - oi. eu sou o Ricardo, você? ela: - Juliana. pergunto: - gosta do som? ela: - sim, adoro o Paulo Ricardo. sorrio e digo: - eu também, tenho um bolachão do Rádio Pirata de 1986, uma das minhas raridades! ela sorrindo pela primeira vez diz: - não brinca! também tenho e é o meu favorito deles! era o que eu precisava, quebrei o gelo numa tacada de sorte. quem liga pra isso? se a sorte não serve pra isso, pra que então? sentamos num dos bancos que tem aos montes no lounge e começamos a conversar sobre música e gostos em geral. numa pausa digo que estava reparando nela desde a hora que havia chegado e pergunto se ela tem namorado. ela me diz que não. fica aquele silêncio, rola um clima. nessa hora, a maioria das pessoas não sabem o que fazer, eu normalmente não ligo, pra mim tanto faz, coloco minha mão em seu pescoço e começo a acaricia-la, digo que seu perfume é muito gostoso, chego mais perto e lhe cheiro o pescoço, ela arrepia, é minha deixa. olho-a nos olhos e lhe tasco um beijo. ela me olha e lhe dou outro e mais outro. olho no relógio, são duas horas, digo que preciso ir embora e pego seu telefone.
chego na saída, paro, respiro e entro novamente na porta ao lado, a da pista eletrônica. vou a um canto da pista e sento em um dos sofás, sinto o cansaço do dia todo descer sobre mim. lanço meu olhar de paisagem pela vista e fico ali, sentado, só relaxando.
três e doze, busco o foco em meus olhos e reparo na pista. é a famosa cena de fim de feira, conversa fiada para todo lado, ponta de estoque em promoção, laranja mofada fazendo sucesso. solto uma gargalhada e penso: - é o fim, estou no inferno! cadê o capeta para tomarmos um drink no inferno? (aliás, gosto desse filme maluco até o caroço, com o George Clooney e o Quentin Tarantino) os casais ao meu lado me olham com espanto, cochicham, esse ai deve estar bêbado…
um pouco a minha frente, três garotas dançam fazendo graça, reparo nelas. chega um grupo de rapazes, cada um gruda em uma, conversa pra cá, pra lá e rapidamente são despachados. dou 1,5 pela abordagem mais 2,0 pela coragem de chegarem em garotas tão bonitas feios como são. chega outro, e outro. todos dispensados. começo a divertir-me com a situação.
mais uma rodada e nada. duas delas se divertem com a situação tanto quanto eu, a outra já meio emburrada, olha para os lados, fala alguma coisa inaudível para as amigas e senta num espaço vago no sofá ao meu lado. ao chegar disse: - está ocupado, posso sentar? me ajeito e respondo: - sim, fique a vontade. passa algum tempo, puxo conversa: - cansada? ela responde: - sim, meus pés estão me matando. dancei a noite toda. digo a ela: - tire o salto, aqui no cantinho ninguém vai ver. ela os tira e eu pergunto: - qual seu nome? ela: - Fernanda e o seu? digo: - Raphael, muito prazer. mora por aqui? ela: - mais ou menos, moro em higienópolis, sabe? respondo: - sim, conheço bem aquele pedaço, principalmente aquele perto do IED. ela diz: - legal, moro ali pertinho e você? digo: - moro próximo a av. paulista, mas meu contrato de aluguel vence esse mês e sairei de lá. ela: - hmm, vai pra onde? eu: – a principio voltarei a casa de minha mãe pois pretendo mochilar daqui um mês ou dois pelo sul do país. como ficarei um bom tempo fora, não procurei nada direto. ela: - legal! adoro viajar. digo sorrindo: - vem comigo, vai ser divertido. vem comigo, no caminho eu te explico. ela: - eu amo Cazuza! e é melhor não brincar que é arriscado eu ir mesmo hein, rs. eu digo: - falando em ir, está na minha hora. ela: - que pena, acho que eu e minhas amigas já vamos também, odeio fim de balada. digo: - também não gosto muito, estou aqui por preguiça de voltar pra minha casa e ficar sozinho lá. ela: - estou na mesma, esse é um dos problemas em morar sozinha. digo a ela: - quer companhia? ela rindo: - nem te conheço! rs digo: - nem eu te conheço e, olha o risco que estou correndo ao te propor isso, posso estar nesse momento me oferecendo a uma seqüestradora, assassina ou coisa pior. eu me arrisco por você, você não? ela: - eu não sou nada disso! tá doido? rs eu: - tem certeza? você tem uma cara de maluquinha viu, sei não… vou correr riscos sozinho com você? ela: - claro que não! pega suas coisas e vamos embora.
parei e pensei: - que porra é essa? ela não queria me levar pra sua casa, por medo, sei lá, e eu virei o jogo só na psicologia barata e ela nem se ligou. fiquei decepcionado com a facilidade desse jogo…
entrei no carro com as amigas delas e fomos no pegando no banco de trás até sua casa. lá dentro, olho ao redor e penso: – meu Deus! que confusão! e eu achando que eu era bagunceiro… isso é o de menos, pego a garota, começo a beijá-la e tirar sua roupa. pego uma camisinha, jogo as tralhas da mesa pro chão e transamos ali mesmo. de lá fomos para o chão e finalizamos na parede do corredor. não vi seu quarto, não queria e nem precisava.
juntei minhas roupas, peguei um taxi e fui embora. ela não ficou muito feliz, mas não ligo, era pra ser só aquilo mesmo.
essa noite tive, três cafés, quatro mulheres, uma transa e mesmo assim muita solidão. hoje dia 15, fiz as contas e já tive 12 mulheres no mês. e não estou nem um pouco feliz.
estou doido para sentir algo que me faça saber vivo, que seja ódio, paixão, frio na barriga, o caralho a quatro que o seja, mas que somente uma grande mulher consegue despertar.
estou atrás de uma grande mulher, um grande desafio, acho que é disso que preciso. (só pra constar, uma grande mulher não é necessariamente uma grande namorada).
I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London, is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, i am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here, nowhere to go
sinto que tudo em minha vida soe como música, nos bons e maus momentos vejo harmonia em tudo. chega a ser irônico o que a vida nos impõe, amo música, sempre sonhei em ter uma banda, mas nunca aprendi a tocar guitarra em toda a minha vida.
uma nova fase começa em minha vida e não existem ritos de passagem, apenas flui, como um acorde crescente dentro de mim. estou mais poético, mais vibrante. meus sentidos estão todos aguçados.
ontem, pela segunda vez em toda minha vida, chorei com meu pai. a primeira, a dez anos, fora de tristeza pela separação de meus pais, a segunda, se deve a uma pequena parábola e um aconselhamento que ele me deu. julgo-o um sábio, e o amo.
peço desculpas aos que me lêem pela escassez de palavras nos últimos dias, acreditem, senti falta demais de vocês. espero que me entendam, precisava desse tempo só para mim, para procurar um novo norte e seguir.
vou comprar um violão e algumas revistinhas com acordes, afinal, nunca é tarde para desenlatar e viver um sonho, like a musician.
ps – prometo responder todas as mensagens em atraso que recebi no meu e-mail.
pss – chega de drama, tenho uma má reputação a zelar, me aguardem!
Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
essa história na verdade começa na terça da mesma semana quando recebo um telefonema por volta das dez da noite com ela elogiando meu último artigo e perguntando quando iria publicá-lo (referente a meu blog (clark kent) jornalístico, ela não tem conhecimento desse). disse que estava meio sem tempo e perguntei se ela havia me ligado apenas pra falar isso. ela sem graça disse que não e perguntou se eu teria tempo pra ouvi-la, pois ela precisava muito desabafar com alguém que confiasse. sua vida profissional e pessoal esta uma bagunça, recentemente ela perdeu alguns familiares e saiu da redação onde trabalhava. a escutei por cerca de uma hora e após ela me resumir os fatos perguntei se ela não queria conversar com mais calma e sugeri que nos víssemos numa cafeteria na Av. Paulista na quinta.
cheguei por volta das oito da noite, ela já estava sentada numa mesa me esperando. ao me ver, veio ao meu encontro e me abraçou (como ela estava linda e como senti falta daquele cheiro…). sentamos e pedi um cappuccino e ela um franccino. mais calma recomeçou a me contar a história toda e num determinado momento com lagrimas brotando de seus olhos tive vontade de pegar sua mão, abraçá-la, dar-lhe um beijo e dizer que tudo ficaria bem pois estava aqui, mas segurei a onda, ainda tenho orgulho próprio e já fui até meu limite por ela uma vez, disse apenas que tudo ficaria bem. passei a noite sentindo um friozinho na barriga além de fumar um cigarro atrás do outro. sempre tive facilidade em lidar com mulheres em todas as situações, mas com ela é diferente, sei lá, ela é a mulher com quem tive a história mais forte até hoje. alem de linda (segundo minha mãe, ela lembra a Carla Bruni), ela é extremamente inteligente.
após reconfortá-la, o papo ficou mais leve. vieram a mesa mais cafés, pães de queijo, conversas sobre nossas vidas depois que terminamos e principalmente muitas risadas. ela perguntou se eu estava namorando e disse que não, não namorei mais depois que ela enegreceu meu coração. ela não esperando ouvir isso me olhou surpresa e perguntou se era sério ou estava querendo descontar. respondi rindo, “os dois”.
no fim, uma noite que tinha tudo para ser melancólica tornou-se leve e agradável. fechamos a conta e a acompanhei alguns quarteirões pela Av. Paulista (uma amiga iria buscá-la três quarteirões à frente). ao passarmos por um prédio ela aponta para seu topo e diz, “olha que antena linda toda colorida!”. continua insistindo, “olha, olha. ela fica mudando de cor!”. eu retruco, “que antena mais gay”. ela ri e me chama de bobo.
avistamos o carro de sua amiga, nos despedimos e virei para não vê-la mais naquela noite. Segui vagando pela Av. Paulista perdido em pensamentos até acabar meu maço, chamei um taxi e fui embora.
sei que essa é uma nota com um nível alarmante de sentimentalismo, mas tudo bem. irei aprontar bastante e enterrá-la nos meus arquivos mais profundos.
passei o dia inteiro mudando a cara de meu escritório. troquei as cadeiras, tapete e sobrou até pra coitada da mesa. mudei mobília e decoração de lugar. só mantive meu sofá vermelho (xodó).
adoro mudar as coisas de tempos em tempos, é como uma renovação. sempre encontramos algo que não queremos mais e jogamos fora assim como algo que estava perdido e ficamos felizes em guardar.
mudei tudo porque acho que estou mudando também. esse blog está tendo efeitos melhores do que eu esperava sobre mim. nunca havia imaginado o quão bom é relatar tudo o que vivo e que se passa em minha mente abertamente.
nunca fui a um analista, psicólogo, psiquiatra nem pai de santo. acredito nessas ciências mas não vejo uso pra mim. de qualquer maneira, se havia algo de errado comigo, o blog curou.
esta nota não tem nenhuma analogia com o clássico filme Back to the Future de Robert Zemeckis, que aliás adoro. sempre achei a idéia de viajar no tempo magnífica. mas, estou de volta dos hotéis baratos, reuniões e estradas que não acabam mais. já estava com saudades da minha cama, mas aguentei mais um pouquinho e fui para um barzinho na vila mariana com meu amigo Harper (esta passagem merece uma nota a parte assim como algumas situações que só uma viagem pode proporcionar), enquanto isto, fiquem com uma música que não sai de minha cabeça no momento (ainda não sei o por quê).
R. é audacioso, provocativo e comunicativo. ávido leitor, ele é freqüentador assíduo de livrarias e também um apaixonado pelo cenário underground e cultural de São Paulo. sua paixão por livros rivaliza-se apenas a sua pelas mulheres. leia mais sobre mim.
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