AVALIAÇÃO
com este livro, Gabriel García Márquez pôs fim a um período de dez anos longe dos romances, o último fora do amor e outros demônios. de tão bom, o livro já era best-seller por aqui antes mesmo de ser traduzido para o português. Henry James considera o livro um nouvelle: longo demais para ser um conto e curto demais para ser um romance, possui apenas 127 páginas.
a obra trata a relação entre uma adolescente e um homem muito mais velho, o que não é nenhuma novidade, pois histórias como esta são uma tradição da qual fazem parte Vladimir Nabokov de Lolita, Thomas Mann de morte em veneza e Yasunari Kawabata de a casa das belas adormecidas. o último, laureado com o Nobel de 1968, foi a inspiração mais direta para García Márquez.
os três tratam do mesmo assunto, mas de maneiras diferentes. Nabokov deu a Lolita poder psicológico sobre Humbert, Mann tratou do amor homossexual e García Márquez deu a seu protagonista, uma forma de celebrar a vida em alguns de seus detalhes mais delicados.
é um livro conciso, com notas de humor e toques poéticos. recomendo a todos sua leitura.
DETALHES DO ENREDO
é apenas na aparência que esta inesperada e surpreendente história de amor entre um ancião e uma ninfeta. um leitor mais atento vai encontrar aqui as principais referências e motivações desse hino de louvor à vida e, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro no imaginário do Prêmio Nobel de Literatura de 1982. apesar de parecer estranho, uma dessas chaves está no conto de fadas a bela adormecida, que, não por acaso, é citado em um momento crucial dessa narrativa ambientada em uma cidade colombiana imaginária, numa época que de tão remota parece imemorial.
a semelhança com a famosa fábula do escritor francês Charles Perrault fica mais explícita na adolescente, que aqui surge dormindo, como se estivesse à espera do seu príncipe encantado. mas ela também está presente no velho jornalista, narrador dessas memórias, que vai viver cerca de cem anos de solidão embotado e embrutecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem horizontes quanto ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.
só quando acorda ao lado da ainda pura ninfeta Delgadina é que este personagem vai ganhar a humanidade que lhe faltou enquanto fugia do amor como se tivesse atrás de si um dos generais que se revezaram no poder da mítica Colômbia de Gabriel García Marquéz. o medo do amor é tão superlativo que o anti-herói dessas memórias vai preferir conviver com a mais terrível ameaça para o macho latino: o fantasma da impotência. e enquanto tivesse forças, resistiria ao poder do amor.
parte desse medo se deve aos ridículos a que o amor nos expõe, aqui elevado a última potência em cenas como a que o ancião anda numa bicicleta cantando “com ares do grande Caruso”, ou aquela em que destrói um quarto de bordel. e por mais que lidemos com esse sentimento como se fosse um paletó dois números acima do nosso, apenas ele e tão somente ele, o amor, nos faz humanos, como desde tempos imemoráveis a arte vem tentando provar. seja nos boleros mais sentimentais, que ressoam nas paixões evocadas pelos grandes mestres da ficção, ou em obras-primas como esta.
detalhes do enredo foi retirado em partes da orelha do livro.



Tenho vontade de ler o livro, mas ando meio sem tempo (eu sei, foi feio dizer isso)…
Agora q meu guru literário indicou, vou correndo comprar e ler, espero em breve poder voltar aqui e dar minha opinião sobre o livro.
beijos
Eu tenho que criar vergonha na cara e comprar esse livro logo…Mas tem os livros do vestibular na lista e isso me estressa (alguns são antologias poéticas e eu não curto).
Tem meme pra você, nem sei se você responde, mas a vida é feita de tentativas ;P
Acabei de ler o livro. Jamais o compraria porque não gostei do título, mas fui convencida a lê-lo pela amiga que me emprestou. No início quase desistia porque tive nojo do personagem, isso mesmo, nojo. Diante de um domingo mais ou menos decidi ler o resto e acabei me acostumando com o jeito dos personagens e até torcendo pela felicidade do ancião.
Sempre aproveito a leitura para tirar um bom sono e um fato interessante é que o tipo de texto, a forma como o livro foi escrito, entrava no meu sonho e eu sentia como se o estivesse lendo enquanto dormia. Poucas vezes li alogo assim e até acredito que foi esse poder que deu ao autor o prêmio nobel da literatura.
Bem, não sei te dizer se gostei ou não. Acho que meu lado feminino não poderia gostar de um homem que só amou aos 90 anos uma menina que poderia ser sua neta. Meu lado leitora se encantou com a verdade e a paixão pela vida que começa aos 90. É, acho que gostei.
(Sem querer quase escrevi o post pra meu blog http://www.bompraler.blogspot.com... eh eh..)
“otimo, bem elaborado um romance mágico e sem duvidas surpreendente”