quinta passada a encontrei pela primeira vez depois do que ela me disse.
essa história na verdade começa na terça da mesma semana quando recebo um telefonema por volta das dez da noite com ela elogiando meu último artigo e perguntando quando iria publicá-lo (referente a meu blog (clark kent) jornalístico, ela não tem conhecimento desse). disse que estava meio sem tempo e perguntei se ela havia me ligado apenas pra falar isso. ela sem graça disse que não e perguntou se eu teria tempo pra ouvi-la, pois ela precisava muito desabafar com alguém que confiasse. sua vida profissional e pessoal esta uma bagunça, recentemente ela perdeu alguns familiares e saiu da redação onde trabalhava. a escutei por cerca de uma hora e após ela me resumir os fatos perguntei se ela não queria conversar com mais calma e sugeri que nos víssemos numa cafeteria na Av. Paulista na quinta.
cheguei por volta das oito da noite, ela já estava sentada numa mesa me esperando. ao me ver, veio ao meu encontro e me abraçou (como ela estava linda e como senti falta daquele cheiro…). sentamos e pedi um cappuccino e ela um franccino. mais calma recomeçou a me contar a história toda e num determinado momento com lagrimas brotando de seus olhos tive vontade de pegar sua mão, abraçá-la, dar-lhe um beijo e dizer que tudo ficaria bem pois estava aqui, mas segurei a onda, ainda tenho orgulho próprio e já fui até meu limite por ela uma vez, disse apenas que tudo ficaria bem. passei a noite sentindo um friozinho na barriga além de fumar um cigarro atrás do outro. sempre tive facilidade em lidar com mulheres em todas as situações, mas com ela é diferente, sei lá, ela é a mulher com quem tive a história mais forte até hoje. alem de linda (segundo minha mãe, ela lembra a Carla Bruni), ela é extremamente inteligente.
após reconfortá-la, o papo ficou mais leve. vieram a mesa mais cafés, pães de queijo, conversas sobre nossas vidas depois que terminamos e principalmente muitas risadas. ela perguntou se eu estava namorando e disse que não, não namorei mais depois que ela enegreceu meu coração. ela não esperando ouvir isso me olhou surpresa e perguntou se era sério ou estava querendo descontar. respondi rindo, “os dois”.
no fim, uma noite que tinha tudo para ser melancólica tornou-se leve e agradável. fechamos a conta e a acompanhei alguns quarteirões pela Av. Paulista (uma amiga iria buscá-la três quarteirões à frente). ao passarmos por um prédio ela aponta para seu topo e diz, “olha que antena linda toda colorida!”. continua insistindo, “olha, olha. ela fica mudando de cor!”. eu retruco, “que antena mais gay”. ela ri e me chama de bobo.
avistamos o carro de sua amiga, nos despedimos e virei para não vê-la mais naquela noite. Segui vagando pela Av. Paulista perdido em pensamentos até acabar meu maço, chamei um taxi e fui embora.
sei que essa é uma nota com um nível alarmante de sentimentalismo, mas tudo bem. irei aprontar bastante e enterrá-la nos meus arquivos mais profundos.
Carla Bruni - L’excessive



É engraçado (chegando a ser irônico) como as vezes mesmo quem nos fez sofrer é quem melhor nos entende. Já passei por isso na situação de ouvinte e de falante. E em ambas, o momento da despedida tem o mesmo peso…
beijos
Quer coisa mais humana que sofrer?
Sentimentalismo é normal, tbm
ahahahahaah
E é foda essa história de um amor e o trauma pós-amor, sei como é… tenho até uma história parecida!
abraços!
Alguns pensamentos sobre o texto:
- Antes de tudo, desde que ouvi Carla Bruni pela primeira vez me encantei com ela. Uma música que tem conotação especial pra mim é Le ciel dans une chambre http://www.youtube.com/watch?v=CgZwjjVKEmI Esta versão em especial é apaixonante, pois termina em italiano, meu idioma do amor. Lembra a minha menina, nossos momentos, e deu um negócio no coração agora lembrá-la…
Me leva ao segundo pensamento:
- Dizer eu não te amo mais a alguém que amamos um dia, é tão doloroso quanto ouvir, acredite. E ter alguém querido que independente de tudo o que passou se pode contar é raro e lindo, para ambas as partes. Tanto ser esta pessoa, quanto ter…
E pra finalizar:
- Acho incrível como determinadas pessoas jamais nos serão indiferentes. E isso vale para o bem e para o mal…
Beijocas!
Uma das cenas mais belas do cinema, pra mim, é em ”Closer” quando Alice fala para o (Jude) ”I don´t love you anymore” com os olhos encharcados. Eu achei que amaria o cara com quem assisti o filme para sempre. Terminamos, sofri. Agora que ele me provou ser um bastardo (trai a namorada…comigo) eu parei de gostar e até cortei os encontros. Um dia ele me perguntou o motivo e eu não tive coragem de ferí-lo como ele me feriu terminando comigo. Eu não conseguiria sustentar imparcialidade diante da cara de espanto dele com essa ”cena repetida”.
Hhahahahahahahaha…Você meio que acaba de confirmar uma coisa que se passa comigo. Tem um cara, eu conheço a vida dele, ele tem uma facilidade enorme de ”chegar”, seduz, pega quem ele quer e tal. Comigo não, ele age como criança, não sustenta e (o pior) sabe disso e solta ”Por que só você me faz isso? É culpa sua, você é má, do donuts for you”. Por quê homem tem que ficar tão ‘’sem reação” diante de mulheres ”um pouco mais especiais”? Acho injusto!
Oi R. Ví teu comentário lá no Manual… essas idas e vindas de blog em blog tem me trazido ótimas surpresas… adorei teu texto e voltarei sempre aqui. Quanto ao último post, só te digo uma coisa: “sofre demais quem ama de menos…” Beijos!!!
uau R., nice post… eu costumo dizer que por trás de um Don Juan existe uma história de amor [normalmente mal resolvida]… você não é o primeiro a dar bandeira desse jeito. mas tesão, histórias assim fazem da gente o que a gente é, não é mesmo?
sem filosofia de boteco, e se a moça te balançar outra vez? porque não deixar-se cair inocentemente no colo dela? think about it!
beijos ardidinhos,
Jalapeño
(oh, je suis excessive, j’aime quand ça désaxe… pegou a minha predileta dela!)
Concordo com Jalapeño, por trás de um Don Juan existe uma história de amor… Mas sempre, em algum momento da nossa vida, vai existir uma pessoa que nos tira o chão, nos causa um abalo tão grande que é difícil a recuperação.
No meu caso - e para o bem da minha sanidade - a solução foi a exclusão total e definitiva da tal pessoa da minha vida. Posso dizer que hoje há serenidade e que foi a escolha certa.
E concordo com vc com relação a tal antena. Posso vê-la de praticamente todo meu apartamento e definitivamente é gay :o)
Beijo
E quem nunca teve uma dessas histórias inacabadas na vida? Vivendo e aprendendo, errando e se fodendo já dizia minha vó.
e não importa quanto tempo passe, dias, meses ou anos, se uma pessoa mexeu com agente, realmente te desconcertou, não existe tempo que faça passar aquela sensação de mil borboletas na barriga quanto tu cruza com ela.
nem só de orgias e doideiras vive um ser.!
faz parte da existência todo esse sentimentalismo.
ele,seu coração, agradeceu muito por esse agradável momento.
oi R., vc anda sumido de lá e eu sumida daqui, mas pode ter certeza que lembro sempre das suas notas.
só posso dizer uma coisa: que post mais lindo (ah, toda mulher adora essas coisas docinhas) …e lendo me trouxe lembranças fresquinhas da noite passada… de alguém que sente isso por mim, que me cheira assim, que me emociona … que é especial na minha vida, mas não pode estar por completo.
Mas voltando ao seu caso: vá apagando essa mancha negra do coração, não vale à pena, só te atrapalha … olha só como foi especial esta noite!? não foi? maravilha de ler e compartilhar assim do seu canto secreto de coração.
beijos
